O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 326
PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO
DA
L EITURA
quanto imaginava ou se a força do impacto bastaria para adormecer os sentidos e me dar
uma morte rápida e eficiente.
Foi então que ouvi as batidas na porta. Uma, duas, três. Chamavam insistentemente.
Virei, ainda aturdido por aqueles pensamentos. Bateram de novo. Havia alguém lá
embaixo, batendo em minha porta. Meu coração deu um salto e lancei-me escadas abaixo
convencido de que Cristina tinha voltado, que algo tinha acontecido no caminho, que meus
miseráveis e desprezíveis sentimentos de ciúme eram injustificados, que aquele seria,
afinal, o primeiro dia de uma vida prometida. Corri até a porta e abri. Estava ali, na
penumbra, vestida de branco. Quis abraçá-la, mas então olhei para seu rosto cheio de
lágrimas e compreendi que aquela mulher não era Cristina.
— David — murmurou Isabella com a voz alquebrada. — O Sr. Sempere morreu.