O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 322

PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO DA L EITURA — O que está havendo, David? — Nada, não está havendo nada — assegurei com um sorriso estúpido estampado no rosto. Amarrei o laço novamente e recoloquei a pasta no baú. — Não vai passar a chave? — perguntou Cristina. Virei, disposto a dar uma desculpa, mas Cristina tinha desaparecido escada abaixo. Suspirei e fechei a tampa do baú. Encontrei Cristina embaixo, no quarto. Por um instante, olhou para mim como se eu fosse um estranho. Fiquei parado na porta. — Desculpe — comecei. — Não tem nenhum motivo para me pedir desculpas — replicou. — Não deveria ter metido o nariz onde não sou chamada. — Não é isso. Deu um sorriso abaixo de zero e fez um gesto de despreocupação capaz de cortar o ar. — Não tem importância — disse. Concordei, deixando um segundo assalto para outra hora. — Os guichês da Estação da França abrem cedo — disse. — Acho que vou indo para estar lá quando abrirem e comprar as passagens para hoje ao meio-dia. Em seguida, irei ao banco tirar dinheiro. Cristina se limitou a aprovar. — Muito bem. — Por que não prepara uma maleta com um pouco de roupa nesse meio-tempo? Estarei de volta em duas horinhas, no máximo. Cristina sorriu debilmente. — Aqui estarei. Aproximei-me dela e tomei seu rosto entre as mãos. — Amanhã à noite estaremos em Paris — disse. Beijei sua testa e parti.