PDL – PROJETO DEMOCRATIZAÇÃO DA LEITURA
— E o senhor, toda a liberdade para aceitar a proposta do senhor...—... Corelli.— O senhor já aceitou, não é mesmo?— Posso perguntar que relação isso tem com as causas do incêndio?— reagi.— Nenhuma. Simples curiosidade.— Isso é tudo?— perguntei. Grandes olhou para os colegas e depois para mim.— De minha parte, sim. Fiz menção de levantar. Os três policiais continuaram cravados em suas cadeiras.— Sr. Martín, antes que me esqueça— disse Grandes—, pode confirmar que os srs. Barrido e Escobillas lhe fizeram uma visita no número 30 da Rua Flassanders, em companhia do advogado que mencionamos?— Fizeram.— E foi uma visita social ou de cortesia?— Os editores vieram expressar seu desejo de que voltasse ao trabalho numa série de livros que tinha abandonado para dedicar-me durante alguns meses a um outro projeto.— E diria que a conversa que tiveram foi amigável e tranqüila?— Não me lembro de ninguém levantando a voz.— E lembra de ter respondido, cito textualmente, que " em uma semana você e o imbecil de seu sócio estarão mortos "? Sem levantar a voz, claro. Suspirei.— Sim— admiti.— O que significava isso?— Estava irritado e disse a primeira coisa que me veio à cabeça, inspetor. Isso não significa que estivesse falando sério. Às vezes, a gente diz coisas que não sente de verdade.
— Obrigado por sua sinceridade, Sr. Martín. Foi de grande ajuda para nós. Tenha um bom dia.
Fui embora com os três olhares cravados como punhais nas minhas costas e a certeza de que, nem se tivesse respondido cada pergunta do inspetor com uma mentira, estaria me sentindo tão culpado.