O joo do anjo Carlos Ruíz Zafón - O Jogo do Anjo | Page 139
PDL – P ROJETO D EMOCRATIZAÇÃO
DA
L EITURA
— Poderia dizer até que horas esteve com essa pessoa?
— Até tarde. A bem dizer, acabei passando a noite em sua casa.
— Entendo. E como se chama essa pessoa que define como relacionada a seu
trabalho?
— Corelli, Andreas Corelli. Um editor francês.
Grandes anotou o nome em um caderninho.
— O sobrenome parece italiano — comentou.
— Na verdade, não sei exatamente qual é a sua nacionalidade.
— É compreensível. E o Sr. Corelli, seja qual for a sua cidadania, poderia confirmar
que vocês estiveram juntos ontem à noite?
Dei de ombros.
— Suponho que sim.
— Supõe?
— Tenho certeza que sim. Por que não o faria?
— Não sei, Sr. Martín. Tem algum motivo para acreditar que não o faria?
— Não.
— Assunto resolvido, então.
Marcos e Castelo me olhavam como se eu não tivesse dito nada além de um
amontoado de mentiras desde que tínhamos nos sentado.
— Para terminar, poderia esclarecer a natureza da reunião que manteve ontem à noite
com esse editor de nacionalidade indeterminada?
— O Sr. Corelli marcou um encontro comigo para fazer uma proposta.
— Uma proposta de que tipo?
— Profissional.
— Claro, claro. Para escrever um livro, talvez?
— Exatamente.
— Veja bem, é normal que, depois de uma reunião de trabalho, o senhor fique para
passar a noite na residência da, digamos assim, parte contratante?
— Não.
— Mas o senhor disse que passou a noite na casa do editor.
— Fiquei porque não estava me sentindo bem e achei que não conseguiria chegar à
minha casa.
— O jantar caiu mal, não foi?
— Tenho tido problemas de saúde ultimamente.