ção; e de muito mais – em favor da política pública não só de cultura, como de desenvolvimento.
O que se depreende disso, portanto?
Primeiro, que pouco adianta defender o reconhecimento do potencial econômico da cultura, se um passo ainda mais fundamental não tiver sido dado antes: o desenho de uma política pública clara, com base no contexto local. Em outras palavras, conforme o ditado que se costuma atribuir ao pensador grego Sêneca,“ Se você não sabe para que porto está velejando, nenhum vento é bom”. Esta é uma questão de singular importância em um país como o Brasil, no qual dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística( IBGE) 1 atestam que, em 2006, não menos de 42,1 % dos municípios não tinham política municipal de cultura.
Segundo, que economia é muito mais do que mercado. O que nos remete, afinal, a entender o que é economia. Etimologicamente, vem da junção de duas palavras gregas: oikos( casa) e nomos( costumes, hábitos, leis).“ Administração da casa“,“ administração do lar”,“ administração do local onde vivemos”, como já aparecia em algumas das preocupações de Aristóteles, sob uma ótica muito ligada à questão da filosofia política. A economia tem em seu epicentro, portanto, a sociedade e as pessoas. Ela deita raízes na filosofia moral, daí o porquê de muitos escritos econômicos dedicarem‐se ao debate sobre a ética. E aqui surge um dilema interessante: o que é mais importante, a justiça distributiva ou a eficiência alocativa? Em outras palavras, é melhor utilizar os recursos da forma mais eficiente possível ou fazê‐lo da forma mais justa possível? E é aí, mais uma vez, que se vê a importância de ter uma política cultural com objetivos claramente definidos.
1“ Perfil das Informações Básicas Municipais”, base 5.561 municípios.
Economia criativa, cidades e o futuro do trabalho
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