O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Seite 41

telhado. Quando um governo se desmancha no ar, surgem alterna- tivas de poder. Quando acusavam o impeachment de ser um golpe de Estado, os governistas invocaram a deposição de João Goulart pelos milita- res, em 1964. Mas essa é uma falsa comparação histórica, porque a situação é completamente diferente: a guerra fria acabou, não existe interferência dos Estados Unidos nessa crise, os militares já avisa- ram que vão cumprir a Constituição e a Operação Lava-Jato não é um inquérito policial militar no Galeão. A transformação da presi- dente Dilma numa rainha da Inglaterra, com entrega das rédeas do governo ao ex-presidente Lula e a montagem de uma base parlamen- tar minoritária no Congresso, também poderia ser chamada de um golpe parlamentarista com sinal trocado. Normalmente, governos parlamentaristas têm maioria congressual. Mas voltemos ao ato falho de Temer. “A grande missão, a partir deste momento, é a pacificação do país, a reunificação do país, é o que eu repito, o que venho pregando, como responsável por uma parcela da vida pública nacional. Devo dizer também que isso fica para – aconteça o que acontecer no futuro – um governo de salvação nacional e união nacional”, disse Temer. Na avaliação do vice-presidente, sem a “unidade nacional” será “difícil” enfren- tar a crise. Ao defender “diálogo” entre os partidos, Temer conclama à pacificação do país, à unificação do país, porque é chocante — para não dizer tristíssimo — verificar brasileiros controvertendo entre si, disputando ideias e espaços. E quando parte para uma coisa quase física, isto não pode acontecer no nosso país”. De bobo, Temer não tem nada. TEMER ATRAVESSOU O RUBICÃO (13 de abril de 2016) Um pequeno curso d’água na Itália Setentrional, que corria para o mar Adriático, um pouco ao norte de Ariminium (Rimini), entrou para a história da humanidade em 49 a.C, quando o general Desmanche do governo 37