O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Page 38

Dilma sonha com reforços na equipe do ministério, mais especificamente o senador Roberto Requião (PMDB-PR), o ex-governador Ciro Gomes (PDT-CE) e Jandira Feghali (PCdoB- -RJ). É um trio da pesada, acostumado a jogar duro com os adver- sários. O problema é arrumar lugar de honra na equipe para os três, uma vez que as pastas disponíveis, por ora, são as do Turismo e a do Esporte, com as saídas de Henrique Eduardo Alves (PMDB- -RN) e George Hilton (Pros-SP). O governo trabalhava com a saída dos ministros do PMDB, é verdade, mas eles resolveram ficar, mesmo contrariando a decisão do partido, com exceção de Henri- que Alves, que pediu demissão do Ministério do Turismo. Lula avalia que os ministros do PMDB não têm votos suficientes para barrar o impeachment, mas demiti-los não é uma decisão fácil. A ministra Katia Abreu, por exemplo, não tem um voto na bancada do PMDB, mas é amiga de Dilma e está na sua cota pessoal. A estratégia traçada para garantir o apoio de 172 deputados na Câmara sofre fricção no nascedouro. Era reforçar o PP com o Ministério da Saúde (apoio de pelo menos 25 deputados da bancada), o PR com o Ministério de Minas e Energia ou o de Turismo (mais 20 deputados), o PSD com a Secretaria de Aviação Civil (outros 10) e mais um agrupamento de pequenos partidos liderados pelo PTN com a Secretaria de Portos (19 deputados), que se somariam aos do PT, do PCdoB e de outros aliados, num total de pelo menos 140 votos. A meta do governo é mobilizar 200 votos em plenário. Essas contas, porém, não batem com o discurso desesperado da presidente Dilma Rousseff. Ontem, em cerimônia no Palácio do Planalto, mais uma vez, voltou a acusar a oposição de preparar um golpe de Estado. O discurso estava sintonizado com as interven- ções dos deputados petistas na Comissão Especial do impeach- ment, que analisa o pedido apresentado pelos juristas Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal. Os dois foram ao colegiado apre- sentar os fundamentos do pedido, numa reunião tumultuada pelos governistas. Há uma estratégia para judicializar a decisão da Comissão e é preciso fazer barulho para isso. 34 O impeachment de Dilma Rousseff – Crônicas de uma queda anunciada