O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Page 37
A DÉBÂCLE DE DILMA
(31 de março de 2016)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta salvar a
presidente Dilma Rousseff do impeachment. Atua como chefe da
Casa Civil sem tomar posse, movendo-se nas sombras. Apela aos
aliados mais cascas-grossas, como o senador Jader Barbalho
(PMDB-PA), para recuperar as posições governistas no Senado,
com ajuda discreta do presidente da Casa, Renan Calheiros
(PMDB-AL). É lá que Dilma pode ser afastada e, depois, ter o
mandato cassado, caso a Câmara aprove o impeachment.
Fala-se na possibilidade de novas mudanças no ministério,
tão logo o Supremo Tribunal Federal (STF) decida a situação de
Lula. As expectativas nos meios jurídicos são de que a liminar do
ministro Gilmar Mendes impedindo sua posse seja cassada pela
maioria da Corte. O ex-deputado e jurista Marcelo Cerqueira, que
convalesce de um acidente doméstico em hospital da Rede Sarah,
em Brasília, mas está antenado e sabe onde dormem as corujas,
estima que Gilmar não terá um voto. “Só quem poderia entrar com
um habeas corpus é o ex-ministro Jaques Wagner”. Este instru-
mento jurídico é prerrogativa da parte supostamente prejudicada
e não de terceiros, explica.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já deu a senha
para a derrubada da liminar concedida por Gilmar Mendes ao PPS, ao
admitir que a nomeação de Lula é prerrogativa da presidente Dilma.
Mas, no mesmo parecer, afirma que houve desvio de finalidade. Para
o Ministério Público, Lula virou ministro para sair da alçada do juiz
federal Sérgio Moro, por isso não deve ter foro privilegiado. Esta
questão é a parte imponderável do julgamento no Supremo Tribunal
Federal (STF). Se a prerrogativa de foro for mantida, Lula ganhará
asas de águia para voar na Praça dos Três Poderes. Se permanecer na
mira de Moro, vira uma arataca na gaiola. Deixemos a imagem de
jararaca para o caso de não assumir o cargo.
Desmanche do governo
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