O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Página 16
vozes dos atores que aparecem são capazes de indicar a irresponsa-
bilidade fiscal cometida e a constitucionalidade como ela foi julgada.
O livro nos deixa também informações que, além das razões
jurídicas, permitem perceber que o impeachment poderia ter sido
evitado se a presidente tivesse abandonado a arrogância como fez
política, tido um mínimo de habilidade para ouvir as opiniões críti-
cas, corrigir rumos errados e buscar uma coesão nacional.
Na conjunção histórica que reuniu: mobilizações de rua,
desrespeito às leis fiscais, denúncias de corrupção na sua base de
apoio, decadência na economia, falência fiscal do Estado federal e
dos governos estaduais e municipais, e incapacidade de gestão,
faltou à presidente a capacidade, dela e de sua equipe, para fazerem
articulações no Congresso, entenderem a fadiga do governo petista
de 14 anos – sem o carisma e o equilibrismo do ex-presidente Lula.
Não perceberam que o esgotamento político e o desprezo à
boa gestão exigiam um novo governo que ocorreria fosse pela
cassação da chapa no TSE, pelo impedimento de Dilma ou por
uma reorganização geral das equipes política e administrativa da
presidente, como lhe foi proposto por senadores imparciais e preo-
cupados, que ela não soube fazer ou não quis, ou seus assessores
não a permitiram.
A partir daí, a história se fez, como se os parlamentares
fossem atores no palco e os jornalistas fossem locutores de um jogo
que acontecia descontroladamente. O livro do Azedo ficará como
um dos mais importantes dos que foram escritos sobre o momento,
em cima do fato.
Mas, lido com cuidado, ele ajuda muitos de nós a perceber o
que poderia ter acontecido se o impeachment não ocorresse. Embora
seja impossível fazer história sobre hipóteses, é muito possível que o
governo Dilma continuaria a usar as pedaladas como forma de
encobrir as irresponsabilidades fiscais; que os gastos públicos segui-
riam sem respeito aos limites da aritmética; que o eleitoralismo se
manteria como lógica fundamental do governo; que o aparelha-
mento da máquina pública conduziria à decadência de grandes
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O impeachment de Dilma Rousseff – Crônicas de uma queda anunciada