O Grande Conflito por Ellen G. White 1 | Page 86

que o apoiavam , olhava para um e para outro , em completo desgosto pelo inesperado fracasso de seus planos . Os esforços de Lutero nesta ocasião não ficaram sem bons resultados . A grande assembléia presente tivera oportunidade de comparar os dois homens , e julgar por si do espírito manifestado por eles , bem como da força e verdade de suas posições . Quão assinalado era o contraste ! O reformador , simples , humilde , firme , permanecia na força de Deus , tendo ao seu lado a verdade ; o representante do papa , importante a seus próprios olhos , despótico , altivo e desarrazoado , achava-se sem um único argumento das Escrituras , exclamando , no entanto , veementemente : “ Retrate-se , ou será enviado a Roma para o castigo !”
Se bem que Lutero se houvesse munido de salvo-conduto , os romanistas estavam conspirando para apanhá-lo e aprisioná-lo . Seus amigos insistiam em que , como lhe era inútil prolongar sua permanência , deveria sem demora voltar a Wittenberg , e que a máxima cautela se deveria ter no sentido de ocultar suas intenções . De acordo com isto , ele deixou Augsburgo antes do raiar do dia , a cavalo , acompanhado apenas de um guia a ele fornecido pelo magistrado . Com muitos pressentimentos atravessou sem ser percebido as ruas escuras e silenciosas da cidade . Inimigos , vigilantes e cruéis , estavam a conspirar para a sua destruição . Escaparia das ciladas que lhe preparavam ? Eram momentos de ansiedade e fervorosas orações . Atingiu uma pequena porta no muro da cidade . Abriu-se-lhe e , com o guia , por ela passou sem impedimento . Uma vez livres do lado de fora , os fugitivos apressaram a fuga e , antes que o legado soubesse da partida de Lutero , achava-se ele além do alcance de seus perseguidores . Satanás e seus emissários estavam derrotados . O homem que haviam pensado estar em seu poder , tinha-se ido , escapara-se , como um pássaro da armadilha do caçador . Com as notícias da fuga de Lutero , o legado ficou opresso de surpresa e cólera . Esperara ele receber grande honra por seu tino e firmeza ao tratar com o perturbador da igreja ; mas frustrara-se-lhe a esperança . Deu expressão à sua raiva em carta a Frederico , o eleitor da Saxônia , denunciando com amargura a Lutero , e reclamando que Frederico enviasse o reformador a Roma ou que o banisse da Saxônia .
Em sua defesa , Lutero insistia em que o legado do papa lhe mostrasse seus erros pelas Escrituras , e comprometia-se da maneira mais solene a renunciar a suas doutrinas se se pudesse mostrar estarem em desacordo com a Palavra divina . E exprimia sua gratidão a Deus por haver sido considerado digno de sofrer por uma causa tão santa . O eleitor possuía ainda pouco conhecimento das doutrinas reformadas , mas estava fundamente impressionado pela sinceridade , força e clareza das palavras de Lutero ; e , até que se provasse estar o reformador em erro , resolveu Frederico permanecer como seu protetor . Em resposta ao pedido do legado , escreveu : “‘ Visto que o Dr . Martinho compareceu perante vós , em Augsburgo , deveríeis estar satisfeito . Não esperávamos que vos esforçásseis por fazê-lo retratar-se sem o haver convencido de seus erros . Nenhum dos homens doutos de nosso principado me informou de que a doutrina de Martinho seja ímpia , anticristã ou herética .’ O príncipe recusou-se , além disso , a enviar Lutero a Roma , ou expulsá-lo de seus domínios .” -D ’ Aubigné .
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