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JurídicoICMS Especial PERSPECTIVAs O FMI aponta que o PIB do Brasil sofrerá uma queda de 3,5% em 2016. Não bastasse isso, outros fatores exógenos contribuirão negativamente para as nanças dos Estados, tais como: 1. O efeito El Niño provocará grande quantidade de chuvas no território nacional, o que aumentará o volume de água das represas e, consequentemente, a redução da tarifa de energia elétrica; 2. O preço do barril do petróleo no mercado internacional despencou e a previsão é de que reduza ainda mais, portanto, dicilmente haverá aumento dos preços dos combustíveis; e 3. A alteração do §7º, art. 13 da Lei Complementar nº 123/11, que reduzirá signicativamente a abrangência das mercadorias sujeitas a Substituição Tributária para as operações realizadas com empresas enquadradas no Simples Nacional. Dessa forma, o cenário para MG em 2016 projeta uma situação bem pior. Os dois primeiros itens (energia e combustível) conseguiram alavancar a receita do ICMS no Estado em mais de R$5,5 bi em 2015 (veja Quadro I.2). A perspectiva é de redução da tarifa e, portanto, queda na arrecadação do imposto. O item 3 (receita de substituição tributária antecipada) representou, em média, exercícios 2014 e 2015, uma arrecadação próxima aos R$2,0 bilhões anuais. Com a entrada em vigor, a partir de 2016, do novo dispositivo do SIMPLES NACIONAL haverá uma redução signicativa no recolhimento efetuado por esse segmento. Enm, não há mais como esconder uma realidade que salta aos olhos: Minas Gerais está em situação nanceira caótica, e o atual Governo ainda não entrou em campo para tentar reverter a situação (a SEF é administrada pelo mesmo grupo há mais de 13 anos). Diante de um cenário pouco alvissareiro, uma triste constatação: O Choque de Gestão dos governos anteriores deixou de herança uma terra arrasada, que exigirá esforços e medidas muito bem estudadas para criar condições de resgatar a economia mineira do precipício. De fato, Minas Gerais, entre 2003 e 2014 (a era do CHOQUE DE GESTÃO) fora depredada e totalmente expropriada, por conta de um projeto político de cunho eminentemente pessoal. Forjou-se uma imagem midiática de excelência de gestão, sob a rédea de um “político visionário”, enquanto o Estado, sorrateiramente, vivia de empréstimos e saques das contas de previdências dos servidores, a m de estancar os décits constantes. Nesse período somente a dívida pública saltou de R$35,0 bi para quase R$100,0 bi. INDOLÊNCIA na sef/mg A herança maldita do Choque de Gestão também produziu um Fisco incompetente, preguiçoso e sonolento, mas ágil e esperto para fazer valer os salários de Infere-se, pois, que Minas Gerais precisa fazer urgentemente uma reforma estrutural na SEF, notadamente na Subsecretaria da Receita (SRE), tendo em vista o legado de um modelo gerencial tecnocrata arcaico, totalmente esgotado, que criou uma casta de “nobres colegas”, dentre os quais os altos comissionados da SEF-MG (acréscimo de 50%, direito a sala VIP, ar condicionado, garagem, sem parametrização e sistema de avaliação 100% garantidos). 16 O FISCO MG Edição III / Janeiro - Março 2016 R$28,0 mil mensais, em média. Dirigentes da “alta cúpula”, além dos salários de R$28,0 mil, em média, Essa estrutura gerencial gestada em 2003, que ainda persiste, fez nascer um grupo fechado de gerentes (ninguém entra, ninguém sai – mesmo eleito um governo de oposição), com toda sorte de regalias e dispostos a tudo para não perder os privilégios. Há um cheiro de “pacto corrupto” no ar que percorre as entranhas das repartições fazendárias. Algo como um acordo tácito entre a SRE e os gerentes, a m de que não haja ameaça ao status quo (você não mexe no meu queixo e eu não absurdamente recebem polpudas comissões, cujos acréscimos mínimos estão no quadro abaixo: mexo no seu). A SEF-MG está doente e pede socorro! Até quando o Governo atual cará conivente com essa ESTRUTURA viciada, pesada e ineciente, que sem dúvidas é a principal causa das mazelas do Estado? Um Órgão de tamanha importância para a saúde nanceira e o bom funcionamento do Estado não pode car à mercê de um grupo pouco afeto ao interesse púbico.