O Desejado de Todas as Nacões por Ellen G. White 1 | Page 279

perderia rapidamente a força . Como nosso sangue , assim é o amor de Cristo difundido por toda parte através de Seu corpo místico . Somos membros uns dos outros , e a alma que se recusa a dar perecerá . E “ que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro ”, disse Jesus , “ se perder a sua alma ? ou que dará o homem em recompensa de sua alma ?” Mateus 16:26 . Para além da pobreza e humilhação do presente , apontava Ele aos discípulos Sua vinda em glória , não no esplendor de um trono terrestre , mas com a glória de Deus e as hostes do Céu . E então , disse Ele , “ dará a cada um segundo as suas obras ”.
E , para animá-los , fez a promessa : “ Em verdade vos digo que alguns há , dos que aqui estão , que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no Seu reino ”. Mateus 16:27 , 28 . Mas os discípulos não compreenderam Suas palavras . A glória parecia muito distante . Tinham os olhos fixos na visão mais próxima — a vida terrena de pobreza , humilhação e sofrimento . Deverá ser abandonada sua brilhante expectativa do reino do Messias ? Não deveriam eles ver seu Senhor exaltado ao trono de Davi ? Seria possível que Cristo devesse viver como humilde peregrino , sem lar , devendo ser desprezado , rejeitado e condenado à morte ? O coração confrangeu-se-lhes de tristeza , pois amavam o Mestre . Também a dúvida lhes assaltava o espírito , pois parecia incompreensível que o Filho de Deus houvesse de estar sujeito a tão cruel humilhação . Cogitavam por que haveria Ele de ir a Jerusalém enfrentar o tratamento que lhes dissera havia de receber ali . Como Se poderia resignar a tal sorte , e deixá-los entregues a uma treva mais densa que aquela em que tateavam antes que Se lhes revelasse ?
Na região de Cesaréia de Filipe , raciocinavam os discípulos , Cristo Se achava fora do alcance de Herodes e Caifás . Nada tinha a temer do ódio dos judeus , nem do poder dos romanos . Por que não trabalhar ali , a distância dos fariseus ? Por que necessitaria de Se entregar à morte ? Se Lhe cumpria morrer , então como era que Seu reino se devia estabelecer tão firmemente que as portas do inferno não prevaleceriam contra ele ? Para os discípulos isto era na verdade um mistério . Estavam então viajando ao longo da costa do Mar de Galiléia , em direção à cidade em que todas as suas esperanças haveriam de ser esmagadas . Não ousavam objetar a Cristo , mas falavam entre si em voz baixa e triste , a respeito do que seria o futuro . Mesmo por entre suas interrogações , apegavam-se à idéia de que qualquer circunstância imprevista poderia desviar a condenação que parecia aguardar a seu Senhor . Assim , durante seis longos e sombrios dias , se entristeceram e duvidaram , esperaram e temeram .
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