“ Para quem iremos nós ?” Os mestres de Israel eram escravos do formalismo . Os fariseus e saduceus andavam em contínuas disputas . Deixar Jesus era cair entre discutidores obstinados de ritos e cerimônias , e ambiciosos que buscavam a própria glória . Os discípulos haviam encontrado mais paz e alegria desde que tinham aceitado a Cristo , do que em toda a sua vida anterior . Como voltariam para os que haviam desdenhado e perseguido o Amigo dos pecadores ? Por muito tempo aguardaram o Messias ; agora Ele viera , e não se podiam afastar de Sua presença para ir àqueles que estavam procurando tirar-Lhe a vida , e os tinham perseguido por se tornarem seguidores Seus . “ Para quem iremos nós ?”
Não dos ensinos de Cristo , de Suas lições de amor e misericórdia , para as trevas de incredulidade , a perversidade do mundo . Ao passo que o Salvador era abandonado por muitos que Lhe haviam testemunhado as maravilhosas obras , Pedro exprimia a fé dos discípulos : “ Tu és o Cristo ”. O próprio pensamento de perder esta âncora de sua alma , enchia-os de temor e pesar . Ser privado de um Salvador , era andar flutuando em escuro e tormentoso mar . Muitas das palavras e atos de Jesus parecem misteriosos a mentes finitas ; mas cada palavra e ato Seu tinha definido propósito na obra de nossa redenção ; cada um era calculado a produzir seus próprios resultados . Se fôssemos capazes de entender-Lhe os desígnios , todos pareceriam importantes , completos , e em harmonia com Sua missão . Conquanto não possamos compreender agora as obras e caminhos de Deus , é-nos possível discernir-Lhe o grande amor , o qual se acha à base de todo o Seu trato com os homens .
Aquele que vive próximo a Jesus compreenderá muito do mistério da piedade . Reconhecerá a misericórdia que dá a repreensão , que prova o caráter e traz à luz o desígnio do coração . Quando Jesus apresentou a probante verdade que deu lugar a tantos discípulos Seus voltarem atrás , sabia qual o resultado de Suas palavras ; tinha , porém , um desígnio misericordioso a cumprir . Previu que , na hora da tentação , cada um de Seus amados discípulos seria rigorosamente provado . Sua agonia no Getsêmani , Sua traição e crucifixão , seriam para eles situações por demais difíceis . Se não houvessem sido anteriormente provados , muitos que eram atuados por motivos meramente egoístas , estariam ligados com eles . Quando seu Senhor fosse condenado na sala do tribunal ; quando a multidão que O saudara como rei O ridicularizasse e injuriasse ; quando a escarnecedora turba clamasse : “ Crucifica-O !” — quando suas terrenas ambições fossem decepcionadas , esses interesseiros , renunciando a sua fidelidade a Jesus , teriam ocasionado aos discípulos mais amarga e opressiva dor , em acréscimo ao pesar e decepção sofridos com a ruína de suas mais caras esperanças . Naquela hora de trevas , o exemplo dos que dEle se desviassem poderia arrastar a outros com eles .
Mas Jesus provocou essa crise quando , pela Sua presença , ainda poderia fortalecer a fé de Seus verdadeiros seguidores . Compassivo Redentor que , conhecendo plenamente a condenação que O aguardava , aplainava ternamente o caminho aos discípulos , preparandoos para a prova de sua vida e fortalecendo-os para a provação final !
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