O Cavaleiro de São João O Cavaleiro 35 | Page 61

Ano XV | Edição 35 | 61 O Velho Garimpeiro O velho garimpeiro estava chegando do deserto onde trabalhara por dias, no velho oeste americano, amarrou seu jumento perto do bebedouro e começou a bater o pó da roupa e da longa barba. Nesse momento sai um jovem pisto- leiro de dentro do Saloon, com um revólver na mão e uma garrafa de whiskey na outra. Olhou para o velho e, rindo como um bêba- do, perguntou: - “Ei velho! Você sabe dançar?” O velho levantou os olhos ao jovem pis- toleiro e respondeu: - “Não sei... Mas também nunca quis aprender.” A multidão começou a se aglomerar e o pistoleiro, com um sorriso irônico, disse: - “Bem, seu velho murcho, agora você vai aprender a dançar!”, e começou a atirar aos pés do velho. O velho garimpeiro, não querendo ter o dedão explodido por um tiro, começou a pular à medida que os tiros ricocheteavam no chão. Todos estavam rindo quando a úl- tima bala foi disparada. Ainda gargalhando, o jovem pistoleiro colocou sua arma no col- dre, deu um gole no whiskey e virou-se para voltar ao Saloon. O velho virou-se para seu jumento e, da bagagem, sacou uma espingarda de cano duplo, engatilhando ambos. O barulho O GRITO alto e inconfundível dos “cliques” ecoou no deserto, fazendo todos pararem de rir imediatamente. Quando ouviu o barulho, o jovem pis- toleiro virou-se bem devagar, já suando frio. O silêncio era ensurdecedor. A multidão bo- quiaberta olhava o pistoleiro - os olhos ver- melhos arregalados - encarado no velho e nas duas bocas largas daquela espingarda. A arma estava completamente estável naquelas mãos idosas, e os canos não oscilaram um milíme- tro sequer do alvo, quando o velho disse: - “Filho, você sabe ‘beijar’ o *** de um jumento?” O jovem engoliu em seco e respondeu: - “Não senhor... mas... sempre quis aprender...” Há cinco lições aqui: 1 - Nunca seja arrogante. 2 - Não desperdice munição. 3 - Whiskey faz você pensar que é mais inteligente do que na verdade é. 4 - Certifique-se sempre de saber quem tem o poder. 5 - Não mexa com pessoas mais an- tigas; Elas não chegaram onde estão por serem estúpidas. (Texto copiado do CCar.’. Ir.’. Leonardo Sant’Anna) “Não tenho mais tanta pressa. Comecei a aprender a ser mais gentil com o meu passo. Afinal, não há lugar algum para chegar além de mim. Eu sou o viajante e a viagem” (Ana Jácomo) Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos: - Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas? - Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles. - Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? – Questionou novamente o pensador. - Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo. E o mestre volta a perguntar: - Então não é possível falar-lhe em voz baixa? Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu: - Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecida? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas. Por fim, o pensador conclui, dizendo: “Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta” Mahatma Gandhi