Ano XV | Edição 35 | 44
O BODE NA MAÇONARIA
Por que bode?
Dentro da nossa organização, muitos desconhecem o nosso apelido de“ BODE”. A origem desta denominação data do ano de 1808. Porém, para saber do seu significado, temos necessidade de voltarmos ao tempo. Uma coisa é certa, esqueçam essas conversas de Bode Preto, Diabo, Satanismo ou qualquer idiotice similar.
Por volta do ano 3 d. C., vários apóstolos saíram pelo mundo a fim de divulgar o cristianismo. Alguns foram para o lado judaico da Palestina. E lá, curiosamente, notaram que era comum ver um judeu falando ao ouvido de um bode, animal muito comum naquela região. Procurando saber o porquê daquele monólogo,“ foi difícil obter resposta”. Ninguém dava informações, com isso aumentava ainda mais a curiosidade dos representantes cristãos, em relação àquele fato. Até que Paulo, o Apóstolo, conversando com rabino de uma aldeia, foram informados de que o ritual era usado para a expiação dos erros. Fazia parte da cultura daquele povo, contar a alguém de sua confiança, quando cometia( mesmo que escondido) suas faltas. Acreditando com isso que se outro soubesse, ficaria aliviado junto a sua consciência, pois estaria dividindo o sentimento ou problema.
Mas por que o BODE? Quis saber Paulo. E por que o bode é o seu confidente? Como o bode não fala o confesso fica ainda mais seguro de que seu segredo será mantido, respondeu-lhe o rabino.
A Igreja, trinta e seis anos mais tarde, introduziu no seu ritual, o confessionário, juntamente com o voto de silêncio por parte do padre confessor – nesse ponto da história não conta se foi o Apóstolo Paulo que levou a idéia a seus superiores da Igreja. O certo é que ela faz bem à humanidade. Com esse ato, do confessionário, aliado ao voto de silêncio, o povo passou a contar suas faltas. Na atualidade, com a confiança duvidosa, em função de escândalos por parte de alguns padres, diminuíram os confessores e confessionários e aumentou o número de divãs de psicanálise.
Voltemos a 1808, na França de Bonaparte, que após o golpe de 18 Brumário, se apresentava como o novo líder político daquele país. A igreja, sempre oportunista, uniu-se a ele e começou a pesquisar todas as instituições que não fossem o governo e a Igreja. Assim, a Maçonaria, que era um fator pensante, teve seus direitos suspensos e seus Templos fechados: proibida de se reunir. Porém, Irmãos de fibra, na clandestinidade, se reuniram, tentando modificar a situação do país. Neste período, vários maçons foram presos pela Igreja e submetidos a terríveis inquisições. Porém ela nunca encontrou um covarde ou delator entre os maçons. Chegando ao ponto de um dos inquisitores dizer a seguinte frase a seus superiores:“ Senhor, este pessoal( maçons) parece BODES, por mais que eu os flagele, não consigo arrancar-lhes uma palavra”. Assim, a partir daí, todos os maçons tinham, para os inquisitores, essa denominação“ BODE” – aquele que não fala, que sabe guardar segredo.
O bode foi até adotado pela maçonaria como um lema. O bode vem de uma expressão“ bhody”, que significa ser iluminado. O que hoje se chama vulgarmente de“ bode”, com aquela conotação do chifre, de que a maçonaria seria coisa do diabo. Mas isso absolutamente não existe. É uma instituição que prega a existência de Deus. Se alguém quando for convidado para integrar a maçonaria, disser que não acredita em Deus, não poderá ser aceito.
O bode não faz parte da nossa rica simbologia nem ao menos de nossos usos e costumes tradicionais; aliás, diga-se, faz parte dos usos e costumes dos nossos detratores e adversários, da antimaçonaria que intenta nos difamar atribuindo-nos ações e idéias que não temos, como este símbolo espúrio, pejorativo e deselegante do bode.
Trabalho Ap.’. M.’.“ O Bode na Maçonaria” Ir.’. Adilson Lucio dos Santos
A.’. R.’. L.’. S.’. Acácia do Itaim Paulista N º 3562 Fonte: Jornal Ampulheta n º 71
Loj.’. Ferraz de Vasconcelos Or.’. de Ferraz de Vasconcelos-SP