Ano XIV | Edição 34 | 47
DESCONFIÔMETRO...
Num dia desses, participei de uma sessão
maçônica na qual um palestrante discorreu
com brilhantismo sobre uma nova visão da
Maçonaria. A exposição durou exatamente
23 minutos. Até aí, ia tudo muito bem nesse
melhor dos mundos.
Mas, a alegria durou pouco. Quando
o Venerável colocou a palavra nas Ccol.'.,
a bem da Or.'. e do Quad.'., levantou-se,
no Oriente, um "poderosíssimo" Ir.'. que e
falou durante 17 minutos. Isso mesmo, fiz
questão de cronometrar: D-E-Z-E-S-S-E-T-
-E minutos, aplicando elogios, erguendo o
dedo quando falava com voz grossa... e fez
questão de repetir tudo que o palestrante
dissera antes, porém, numa versão pálida e
amarrotada. Alguns dos presentes, cabisbai-
xos, fingiam meditabundos (está no Auré-
lio!) refletir sobre as palavras do impertinen-
te, mas, em verdade, cochilavam. E o calor
comendo solto.
Eu fui um dos que fingia ouvir e dei
asas aos pensamentos. Lembrei-me daque-
las palavras de Jesus que, em boa hora, vi-
nha nos socorrer com seu divino discerni-
mento e sensatez de Messias: Quando fores
convidado por alguém para uma festa, não
te sentes no primeiro lugar. Talvez tenha
sido convidado alguém mais importante
do que tu, e aquele que convidou os dois,
venha e te diga: - Cede teu lugar para este.
Então tu, cheio de vergonha, irás ocupar o
último lugar.
Quando fores convidado, vai sentar-te
no último lugar, para que, quando chegar
quem te convidou, te diga: - Amigo, vem
mais para cima. Então terás grande honra na
presença de todos os convidados.
HÁ DEZ regrinhas fáceis de guardar
para o bem estar da Ordem, do quadro e fe-
licidade geral de todos que vivem em união
e paciência.
Introdução: quando formos convida-
dos para uma sessão, não é bom tomarmos
a palavra sem necessidade, principalmente
após o prato principal da noite ter sido gos-
tosamente degustado e esgotado. Se houver
alguma pergunta pertinente ou observação
inteligente, a palavra franqueada é sempre
bem recebida, pois representa um prestígio
para o palestrante. Vale a lei do desconfiô-
metro: É preferível aguardarmos em último
lugar e, quando chegar a ocasião oportuna,
dizermos, em poucas palavras, algo que te-
nha conteúdo.
Eis, portanto, as DEZ REGRAS que
aprendi com o Irmão Incógnito, meu iniciador:
Regra 1: se você não tem nada para di-
zer, fique calado. Economize a voz e poupe
os ouvidos alheios. Todos terão mais dois ou
três meses de vida no cômputo final.
Regra 2: se o que você tem para dizer
não é positivo, conciliador e construtivo,
abstenha-se de falar. Mais valem dois ma-
rimbondos voando, do que um na mão!
Regra 3: nunca despreze a inteligência
das pessoas. Há irmãos bem informados e
esclarecidos, independente do grau em que
estejam. Terminada a sessão, alguns poderão
dar-lhe um tapinha nas costas, mas por den-
tro, estarão fritando de impaciência.
Regra 4: Escolha como confidentes os
mais sábios e virtuosos da Oficina. Lembre-
-se: amigo é aquele sujeito que tem coragem
de lhe dizer um NÃO.
Regra 5: Aprenda com as palavras suaves
dos pacificadores e com suas ações úteis. Afi-
nal, a melhor lição está no exemplo.
Regra 6: Lembre-se de que todo poder é
limitado pela necessidade.
Regra 7: O que os irmãos da Ordem
pensam e dizem sobre você, sempre há de
variar muito; agora é algo bom, depois é
algo mau. Hoje carregam você nos braços,
amanhã passam num tropel sobre sua ca-
beça. Portanto, não aceite cegamente o que
dizem. Procure ver com o terceiro-olho e
ouvir com a terceira orelha.
Regra 8: Não deixe que ninguém in-
duza você a dizer o que não é melhor para
a ocasião. Mas quando houver ilegalidade,
injustiças ou decisões tomadas à revelia
dos seus pares, berre bem alto, vote con-
tra, não assine.
Regra 9: Pense e delibere antes de falar,
para não cometer tolices ou servir de chaco-
ta quando estiver ausente.
Regra 10: lembre sempre o fato de que a
morte virá a todos e cada um será lembrado
apenas pelo que fez e pelo amor que soube
dar e receber; ninguém será lembrado pelos
discursos que fez.
Para terminar, uma lenda da antiga
Roma. Conta-se que um cristão foi levado à
arena para ser devorado por um leão.
Quando a fera se aproximou, o cristão,
num gesto rápido, pronunciou algumas pa-
lavras no ouvido do bicho. O leão enfiou o
rabo no meio das pernas e retirou-se. César,
que assistia a tudo, libertou o bom homem.
Mas, antes, quis saber o conteúdo do que
fora dito ao leão. O cristão disse: - Eu sim-
plesmente disse que após o banquete ele te-
ria que ouvir um discurso.
Autor desconhecido
(Texto enviado pelo CCar.’. Ir.’. José Apare-
cido dos Santos – Maringá-PR)