Número Um Samba 1 | Page 4

República da Belle Epóque

na contramão da Cultura Popular

Não foram nossos ancestrais colonizadores portugueses, nem os desbravadores europeus todos em terras brasileiras, nem os forçados imigrantes negros, e tampouco os americanos indígenas tupiniquins que regurgitaram a Cultura Popular Brasileira. Muito ao contrário, chegaram e foram se amoldando a uma matriz que ajudaram a construir. Foi a própria burguesia nacional que se autodenominou de sociedade brasileira, guardiã do saber necessário e exclusivo da identidade cultural brasileira, e em meio a várias mudanças nas artes ocorridas na Europa, fazendo com que teatros, exposições de telas, cinemas, entrassem no cotidiano dos burgueses, e apenas eles (a burguesia) tinham acesso a esse mundo da arte. Estava em curso a Belle Epóque.

Olavo Bilac em sua crônica “A Festa da Penha” de 1906, tomado pela cegueira causada pela vontade burguesa de momento emoldurada da “Belle Epóque”, derrama toda a sua falta de interesse e indignação em relação à Cultura Popular Brasileira. Entre muitas passagens cito:- “... em que triunfavam as mais baixas paixões da plebe e dos escravos” quis. Nullam eu tempor

purus. Nunc a leo magna.

Mais: - ”... Em grande parte, a culpa da conservação dessa usança bárbara cabe aos jornais, que inconscientemente animam e encorajam a orgia, dando-lhe adjetivos pomposos, e continuando, não se sabe por que, a atribuir um caráter religioso a uma festa que é apenas um Carnaval disfarçado, muito pior do que o outro”. (BILAC, 1906) Crônica “A Festa da Penha”

a orgia da Penha desapareça

O Mal Hermes da Fonseca (ministro da Guerra) em 1907 havia proibido as bandas militares de executarem o Maxixe (primo irmão do Samba). A Igreja Católica também embirrou com ritmo condenando o que chama de “dança indecente”.

Em 1914 foi a vez de Rui Barbosa se manifestar na tribuna do senado quando Nair de Teffé, esposa do então presidente Mal Hermes da Fonseca, executou em recepção presidencial o Maxixe “Corta Jaca” de Chiquinha Gonzaga. Rui Barbosa disse o seguinte

Carlos J Fernandes Neto

Diretor Astec SP

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