embora disperso por todas as nações , não são na Terra senão peregrinos , cuja cidadania está no Céu .
Não somente foi mostrada a Balaão a história do povo hebreu como nação , mas ele viu o crescimento e prosperidade do verdadeiro Israel de Deus até o final do tempo . Viu o favor especial do Altíssimo acompanhando aqueles que O amam e temem . Viu-os amparados pelo Seu braço , ao entrarem no escuro vale da sombra da morte . E viu-os saírem de seus túmulos , coroados de glória , honra e imortalidade . Contemplou os resgatados regozijando-se nas glórias imarcescíveis da Terra renovada . Olhando para esta cena , exclamou :
“ Quem contará o pó de Jacó , e o número da quarta parte de Israel ?” E , ao ver a coroa de glória em cada fronte , a alegria irradiando de cada semblante , e olhando para aquela vida intérmina de pura felicidade , proferiu a solene oração : “ A minha alma morra a morte do justo , e seja o meu fim como o seu ”. Números 23:10 .
Se Balaão tivesse tido disposição para aceitar a luz que Deus dera , teria então tornado verdadeiras para si as Suas palavras ; teria de pronto cortado toda a conexão com Moabe . Não mais teria abusado da misericórdia de Deus , mas a Ele teria voltado com profundo arrependimento . Mas Balaão amava o salário da injustiça , e estava decidido a consegui-lo . Balaque tinha confiantemente esperado uma maldição que caísse como uma praga definhadora sobre Israel ; e , às palavras do profeta , exclamou com paixão : “ Que me fizeste ? Chamei-te para amaldiçoar os meus inimigos , mas eis que inteiramente os abençoaste .” Balaão , procurando fazer da necessidade virtude , diz haver falado , em atenção conscienciosa para com a vontade de Deus , as palavras que foram forçadas aos seus lábios pelo poder divino . Sua resposta foi : “ Porventura não terei cuidado de falar o que o Senhor pôs na minha boca ?” Números 23:11 , 12 .
Balaque não pôde mesmo então abandonar o seu intento . Julgou que o espetáculo imponente apresentado pelo vasto acampamento dos hebreus , houvesse intimidado de tal maneira a Balaão que este não ousasse praticar suas adivinhações contra eles . Resolveu o rei levar o profeta a algum ponto onde visse apenas uma pequena parte das hostes . Se pudesse ser induzido a amaldiçoá-los em partes destacadas , todo o arraial logo seria votado à destruição . No cimo de uma elevação chamada Pisga , fez-se outra prova . Construíramse novamente sete altares , sobre os quais foram colocadas as mesmas ofertas que ao princípio . O rei e seus príncipes permaneceram ao
lado dos sacrifícios , enquanto Balaão se retirou para encontrar-se com Deus . Foi outra vez confiada ao profeta uma mensagem divina , que ele foi impotente para alterar ou reter . Quando ele apareceu à multidão ansiosa e expectante , foi-lhe feita a pergunta : “ Que coisa falou o Senhor ?” A resposta , como antes , lançou o terror no coração do rei e dos príncipes :
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