Newsletter AEAC N.º 9 maio 2026 86 | Página 54

lhor gestão e fiscalização das áreas com maior risco de incêndio. Também seria importante aproveitar de forma mais eficiente a água da chuva, que, depois de devidamente tratada, poderia ajudar a abastecer regiões sujeitas a períodos de seca, especialmente no sul do país. Paralelamente, seria necessário investir em edifícios com melhor isolamento térmico, reduzindo a influência das temperaturas exteriores no conforto e na segurança das habitações.
Depois de tudo o que foi referido, parece-me evidente que Portugal continua a reagir mais do que a prevenir. Durante décadas, investiuse mais no combate aos problemas do que na redução das suas causas. As cheias, os incêndios e os períodos de seca não resultam apenas das alterações climáticas; revelam também fragilidades na forma como o território foi preparado para enfrentar estes desafios.
O clima está a mudar. A questão é saber se Portugal conseguirá mudar ao mesmo ritmo.

Adaptação às alterações

climáticas na UE e em Portugal Diogo Marques

É inegável a existência das alterações climáticas no contexto atual e das consequências que estas têm para o ambiente. Estas mudanças têm vindo a provocar, com maior frequência, fenómenos climáticos extremos, como ondas de calor, incêndios, secas e cheias. Estes fenómenos não só se tornaram mais frequentes, como também mais intensos, originando impactos ambientais, económicos e sociais cada vez mais significativos. Esta realidade exige uma intervenção crescente dos Estados e a implementação de medidas capazes de minimizar os seus efeitos.
Embora alguns dos impactos das alterações climáticas pareçam difíceis de reverter, é possível atenuá-los através da implementação de medidas tanto ao nível da União Europeia como ao nível nacional.
Atualmente, sabe-se que a década de 2015 a 2024 foi a mais quente de sempre e que, em 2024, a temperatura média global já se encontrava 1,55 ° C acima dos níveis préindustriais. Estes indicadores preocupantes revelam a urgência da adoção de medidas e da adaptação a esta nova realidade.
Uma das entidades que mais esforços tem desenvolvido para enfrentar este desafio é a União Europeia. Desde 1990, conseguiu reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 31 %. Em 2019, foi criado o Pacto Ecológico Europeu, que visa reduzir as emissões dos países-membros e alcançar uma redução de 55 % até 20230. Além disso, foi estabelecida a meta de reduzir as emissões em 90 % até 2040, tendo como referência os níveis de 1990.
Com estas iniciativas, a União Europeia tem assumido uma posição de liderança no combate às alterações climáticas, investindo cerca de 42 % dos seus fundos nesta área, o equivalente a aproximadamente 275 mil milhões de euros. Como resultado, o seu peso nas emissões globais passou de 15,2 % para cerca de 6 %.
No caso português, o território nacional tem sofrido de forma evidente as consequências das alterações climáticas. Os incêndios florestais continuam a afetar vastas áreas do país, tendo ardido mais de 254 mil hectares apenas no último ano. Por outro lado, a subida do nível médio do mar, provocada pelo aumento das temperaturas e pelo degelo das calotes polares, tem contribuído para a erosão costeira, colocando em risco zonas do território nacional devido à sua baixa altitude e proximidade ao litoral.
Portugal também tem procurado responder a este desafio. Atualmente, cerca de 87,1 % da eletricidade produzida no país tem origem em fontes renováveis, e o Estado português assumiu o compromisso de atingir a neutralidade carbónica até 2050.
Se estas medidas forem implementadas com sucesso e se outros países seguirem o mesmo caminho, será possível reduzir significativamente os impactos das alterações climáticas. No entanto, isso exigirá um esforço coletivo da comunidade internacional e o cumprimento efetivo das metas assumidas. O futuro climático dependerá não apenas dos compromissos anunciados, mas também da capacidade de os transformar em ações concretas.
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