Newsletter AEAC N.º 9 maio 2026 86 | Page 53

Pensar o futuro da Europa e de Portugal

No âmbito da disciplina de Geografia A do 11.º ano, os alunos foram da turma D desafiados a refletir sobre a Política Ambiental da União Europeia e sobre os desafios que as alterações climáticas colocam ao território europeu e, em particular, a Portugal.
Partindo da análise de documentos, notícias e dados atuais, os alunos produziram textos de opinião onde procuraram responder a uma questão central: estará Portugal preparado para enfrentar os impactos das alterações climáticas?
Dos vários trabalhos desenvolvidos, destacamos os textos da Clara e do Diogo, que se evidenciaram pela qualidade da reflexão, pela pertinência dos argumentos apresentados e pela capacidade de relacionar as políticas europeias com os desafios ambientais que marcam o nosso quotidiano.
Convidamos os leitores a conhecer estas perspetivas e a refletir sobre um tema que diz respeito a todos: a construção de um futuro mais sustentável para Portugal e para a Europa.

Portugal mais reage do que previne Clara Mabiala

Nos últimos tempos, têm sido publicadas inúmeras notícias relacionadas com o ambiente. Em Portugal, destacam-se particularmente os incêndios, as ondas de calor, os períodos de seca e, durante o inverno, as cheias. Com todos estes fenómenos a ocorrer cada vez com maior frequência, será que Portugal tem capacidade para lidar com estas situações e com as suas consequências?
Na noite de 27 para 28 de janeiro de 2026, a tempestade Kristin atingiu o distrito de Leiria. A violência do fenómeno mostrou, mais uma vez, que o país continua a enfrentar dificuldades na resposta a eventos extremos, sobretudo se estes se tornarem mais frequentes. A tempestade causou cinco vítimas mortais, dezenas de feridos e prejuízos de milhões de euros. Para além da destruição de áreas agrícolas, provocou danos significativos em vários locais emblemáticos da região. Apesar do tempo que já passou, muitas consequências continuam por resolver e, acima de tudo, continuam por prevenir.
Para além das tempestades e das cheias, as ondas de calor também têm sido cada vez mais frequentes. O ano de 2025 foi o quinto mais quente em Portugal Continental desde 1931, confirmando a tendência de agravamento deste fenómeno.
Além disso, muitos edifícios portugueses continuam pouco preparados para enfrentar extremos térmicos, apresentando frequentemente problemas de humidade e grandes variações de temperatura entre o interior e o exterior.
Mas o que têm feito Portugal e a União Europeia para reduzir estes riscos e minimizar os seus impactos?
As medidas de Portugal e da União Europeia contra as alterações climáticas
A União Europeia estabeleceu o Pacto Ecológico Europeu como o seu principal plano de ação, definindo metas para reduzir as emissões em 55 % até 2030 e alcançar a neutralidade climática até 2050. Para isso, aposta na transição para energias limpas, em transportes mais sustentáveis e na proteção da biodiversidade.
Portugal encontra-se numa posição particularmente vulnerável. Durante o inverno, as cheias afetam várias regiões do país; durante o verão, os incêndios florestais atingem uma dimensão tão recorrente que a expressão " época de incêndios " se tornou parte do vocabulário comum.
Na minha perspetiva, deveria existir uma me-
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