N 15 - Março - 2019 - Ano V Revista Líder Coach | Page 41

ou estar, de forma organizada e inteligente. Nesse contexto, coaching se torna uma ferramenta que aplica técnicas específicas para ajudar quem precisa transpor essa caminhada de maneira segura, digna e honesta. Assumir ser coach é ter que se basear em estudos científicos disponíveis sobre o comportamento para trabalhar e se aprofundar para o desenvolvimento dos conhecimentos dos processos sociais. Ele é um profissional que sabe que está diante do fato de que não há um método único de aplicação, pois o coach produz discursos exclusivos para sujeitos diferenciados em inúmeras abordagens e senões. Ele usa de instrumentos de investigação para construir pontes objetivas enquanto dispositivo constitutivo de pura subjetividade, onde cada abordagem cria seu próprio sujeito-objeto. E assim, ele pode trabalhar em paz. Em tese, o que é e o que somos por si só já nos revela a dimensão ética na teoria, imagine isso como funciona (ou deveria funcionar) na prática. Falo no sentido em que deve haver, pelo menos, uma determinada compreensão de como esse mesmo humano atrela-se à própria fenomenalidade dele como sujeito na ação. Ou seja, se cada abordagem, escola ou sistema de coaching criar seu próprio objeto de estudo à sua imagem e semelhança, como devemos levar em conta as diferenças de uma para a outra? Um caminho seria realizar um congresso nacional sobre ética e discutir um código de conduta que possa servir de base para o bom e livre desempenho da atividade coaching no país. A dimensão que essa luz - sobre a classe - possa alcançar diz respeito ao sentido, ao juízo e às consequências de comportamentos profissionais de uns que afetam a outros ou todos de uma classe. Mas onde ocorrem tais práticas? E o que vêm a ser os serviços de coach? Podem ser modelos de atuação, vinculados a determinadas escolas de pensamento que oferecem práticas determinadas aos seus clientes (quer sejam indivíduos, grupos, instituições, organizações ou comunidades) e, acredito, aliadas à dimensão de uma ética inerente aos discursos e práticas, onde deveria estar a própria conduta profissional. Conduta, esta que nada mais é do que um código de postura profissional, acordado pelos próprios coaches em um dispositivo ou acordo entre todos que oriente, regule e, por que não dizer, controle, por meio de um Conselho Federal de Coach e, consequentemente, dos conselhos regionais que àqueles estão vinculados hierarquicamente. Para que possamos nos dedicar a essa discussão com mais propriedade, no entanto, faz-se necessária uma incursão pelo próprio terreno da ética por excelência, que é a do estar a serviço do outro, por ele e para ele. Temos, assim, um longo caminho a percorrer. Rever nossas teorizações para ali encontrarmos a impertinência do outro, nele mesmo. Renovar nossas práticas para oferecer condições para a irrupção desse outro nas falas e nos gestos de nossos clientes, pacientes, outros de nós mesmos. Assim, é possível falar-se de ética nos serviços de coach. A ética é um princípio eficaz dentro de qualquer atividade profissional e quando cumprida de forma correta há benefícios tanto para quem pratica, quanto para quem recebe. Ética é igual uma criança empinando pipa na praia (livre, leve e solta); tem que dar linha para voar e alcançar as nuvens e as estrelas, mas sem perder o contato com a Terra, sem tirar os pés do chão, presa a uma tênue e fina linha de condução. Ronaldo Barbosa é editor da Líder Coach FEVEREIRO 2019 - LÍDER COACH 41