My first Magazine INPerio v.2-n.1 | Page 76

de Melo Filho AB | Ferreira CL | Pedroso JF | Santamaria MP | Jardini MAN DISCUSSÃO A literatura é vasta em demonstrar que o levantamento de seio maxilar é altamente previsível e bem conhecido, sendo geralmente o método de escolha para o aumento ósseo na região posterior da maxila 16 . O presente relato de caso teve como objetivo mostrar uma situação na qual a sequela da doença periodontal tornou limítrofe e arriscada a possibilidade de enxerto neste local. A altura óssea diminuta e interrompida pela comunicação bucosinusal, ocorrida no ato das extrações dentárias, impossibilitou a instalação dos implantes juntamente com o procedimento de levantamento do seio maxilar, pois não haveria travamento dos implantes, sendo necessário o procedimento em duas etapas. No presente estudo, o fechamento da comunicação bucosinusal pelo deslizamento do retalho vestibular foi escolhido porque havia tecido suficiente, não comprometendo o fundo do vestíbulo, pela facilidade de realização, pelo tipo de comunicação e, principalmente, pelo tamanho da mesma e pela pouca morbidade. A escolha do osso bovino inorgânico ocorreu por se tratar de um substituto ósseo feito de osso bovino, em que todos os componentes orgânicos são removidos e a arquitetura natural do osso é mantida. Em relação à comunicação bucosinusal, o fato do fechamento da perfuração ter sido imediato foi muito favorável. Nesta situação, o sucesso ocorre em 95% dos casos, enquanto que com o tratamento tardio a taxa de eficácia é de 67% 9 . Uma comunicação bucosinusal deve ser tratada em até 24 horas, pois, após este período, as alterações inflamatórias se intensificam de tal modo que o fechamento efetivo da perfuração torna-se ineficiente. 76 INPerio 2017;2(1):71-8 A técnica cirúrgica de escolha para o fechamento das perfurações ainda é motivo de discussão na literatura. Alguns autores defendem o uso da rotação de retalhos palatinos, afirmando ser esse tipo de retalho espesso e com bom suprimento sanguíneo, aumentando assim as chances de sucesso sem risco de necrose tecidual. Eles desaconselham o uso de retalhos vestibulares, pois os mesmos podem levar a uma considerável perda de fundo do vestíbulo, necessitando de uma segunda intervenção cirúrgica. Outros autores preferem o deslizamento do retalho vestibular, pois são de fácil manipulação, bem consistentes e levam a um sucesso garantido, afirmando que este tipo de retalho não provoca mudanças no contorno facial e que, se o fundo de vestíbulo for perdido, este poderá ser restituído após oito semanas do pós-operatório. Eles contraindicam o uso dos retalhos palatais, já que estes tendem a contrair quando são levantados do osso, sua consistência e espessura tornam sua posição mais difícil do que os retalhos bucais e ainda exigem uma cicatrização por segunda intenção da área doadora 17 . No presente estudo, o fechamento da comunicação bucosinusal pelo deslizamento do retalho vestibular foi escolhido porque havia tecido suficiente, não comprome- tendo o fundo do vestíbulo, pela facilidade de realização, pelo tipo de comunicação e, principalmente, pelo tamanho da mesma e pela pouca morbidade. A escolha do osso bovino inorgânico ocorreu por se tratar de um substituto ósseo feito de osso bovino, em que todos os compo- nentes orgânicos são removidos e a arquitetura natural do osso é mantida. O Bio-Oss age como um molde para a formação do novo osso ao longo de todo o processo de regeneração 18 . O enxerto ósseo autógeno é considerado padrão-ouro dentre os diferentes tipos de materiais de enxerto ósseo utilizados para restauração de defeitos na área maxilofacial, pois acelera a regeneração óssea pelo seu conteúdo em células osteoprogenitoras (exclusivo para este tipo de enxerto) e sua riqueza em fatores de crescimento 19 . Porém, existem alguns problemas (defeito secundário da área doadora, duas áreas cirúrgicas para o paciente e quantidade limitada de osso disponível) que limitam seu uso. Para elevação do seio maxilar e colocação do enxerto xenógeno, foi escolhido o produto comercial Bio-Oss (Geistlich Pharma AG – Wolhusen, Suíça) – um osso bovino inorgânico que fornece um arcabouço para a