Terapia Aplicada Caderno científico [ IMPLANTE ]
Os bifosfonatos( BF) são medicamentos com afinidade aos tecidos mineralizados, prevenindo a remodelação e reabsorção óssea 1-2. Podem ser prescritos por via oral ou intravenosa. O uso oral é indicado para o tratamento de osteoporose, doença de Paget e osteogênese imperfeita da infância 3; o uso intravenoso é para alguns casos oncológicos 1, 4. Os pacientes que fazem uso de bifosfonatos têm chance de apresentarem osteonecrose dos maxilares 5-6 proporcional à potência do fármaco e sua duração terapêutica 7.
INTRODUÇÃO
Os bifosfonatos( BF) são medicamentos com afinidade aos tecidos mineralizados, prevenindo a remodelação e reabsorção óssea 1-2. Podem ser prescritos por via oral ou intravenosa. O uso oral é indicado para o tratamento de osteoporose, doença de Paget e osteogênese imperfeita da infância 3; o uso intravenoso é para alguns casos oncológicos 1, 4. Os pacientes que fazem uso de bifosfonatos têm chance de apresentarem osteonecrose dos maxilares 5-6 proporcional à potência do fármaco e sua duração terapêutica 7.
No Brasil, os BFs mais utilizados são o alendronato, o ibandronato, o risedronato e o zoledronato, para o tratamento da osteoporose e osteopenias 8. Nos maxilares, a mandíbula é duas vezes mais atingida do que a maxila, sobretudo no tórus lingual ou na linha milo-hioideia 9. Esta patologia foi conceituada em 2007 pela AAOMS como uma área de exposição óssea na maxila ou na mandíbula, que não se repara em oito semanas e acomete pacientes que estejam recebendo ou que receberam BF sistemicamente e não sofreram irradiação no complexo maxilomandibular 10. Ainda, a ação dos BFs torna o osso mais vulnerável à atividade de bactérias existentes na cavidade bucal 11-12. Histologicamente, caracteriza-se pela deiscência tecidual, desvitalização crônica do osso, hipocelularidade e zonas de litíase visíveis nos exames radiográficos 5, 13. Nas fases iniciais da doença, não são detectadas manifestações radiográficas e, geralmente, os pacientes são assintomáticos. Quando a exposição óssea torna-se mais extensa, o sinal clínico mais comum é a presença de rugosidades no tecido mole circundando a área do osso necrosado, podendo haver indícios de infecção secundária. Em estágios mais avançados, os indivíduos podem queixar-se de dor intensa, com áreas de parestesia 14.
Pela sua gravidade, alguns tratamentos têm sido propostos: a enxertia óssea é utilizada para diminuição dos problemas causados pela doença 15. O uso da câmera hiperbárica ainda tem ação controversa, não sendo uniformemente efetiva para diminuir a progressão da osteonecrose avascular 16, mas gera efeitos benéficos na reparação dos danos por irradiação 17. Entretanto, com o avanço das tecnologias para terapias celulares, pacientes acometidos pela doença podem ter uma nova esperança: os hemoderivados autólogos, em especial as malhas de fibrinas autólogas ricas em plaquetas e leucócitos que podem ser obtidas pela modificação nos protocolos de centrifugação. Classicamente, as plaquetas ativadas liberam fatores de crescimento e estimuladores como o PDGF, TGF-beta, FGF, VEGF, EGF, IGF e TSP-1. Aprisionados incialmente nesta matriz tridimensional, estes fatores seriam liberados progressivamente na ferida e, ao mesmo tempo, a matriz serviria de arcabouço para deposição e migração de células de reparo.
A proposta deste trabalho foi demonstrar os resultados iniciais com esta terapia quase um ano depois, visto que este osso perdeu vascularização e tecido de cobertura, que podem ser restabelecidos com o auxílio deste biomaterial 18-22.
TERAPIA APLICADA
Exame inicial
Uma paciente do sexo feminino, com 72 anos de idade, leucoderma, normotensa e cadeirante, foi encaminhada à clínica da universidade com exposição óssea intraoral, relatando ser portadora de osteoporose e fazendo uso de bifosfonatos por mais de cinco anos, com história odontológica de exodontia na arcada mandibular. No exame clínico, foi observado edentulismo total na maxila e parcial mandibular( Figura 1). A região posterior da mandíbula direita apresentava-se com osso exposto, hiperemia dos tecidos moles adjacentes e exsudato purulento. Na região mandibular anterior, apesar de não se apresentar exposta, havia drenagem de secreção purulenta( Figura 2). Ainda, a paciente já havia passado por um médico especialista que apontou a necessidade de cirurgia na região do quadril.
INPerio 2017; 2( 1): 48-55
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