ENTREVISTA
ImplantNewsPerio – Membranas versus biomateriais: quais são as melhores combinações? Você viu alguma“ biorresposta” nova no caso da interação com diferentes superfícies de implantes? IU – Precisamos de um enxerto que vai desenvolver osso vital e que sustente a carga com os implantes em função, além de manter o volume. Em outras palavras, que não haja reabsorção clínica relevante. Hoje, usamos uma mistura de osso bovino anorgânico e osso autógeno particulado na proporção 1:1. Eu acho que a maioria das superfícies de implantes contata o osso regenerado da mesma forma.
ImplantNewsPerio – Sítios maxilares atróficos: qual tem sido a sua experiência com os resultados clínicos nos tecidos moles e duros? IU – Atualmente, esta é minha área favorita. Amo a complexidade dos casos, especialmente na região anterior da maxila, onde as enxertias de tecido mole e duro estão de mãos dadas. O clínico deveria identificar os fatores clinicamente importantes dos tecidos moles do paciente, para que possam ser realizados o desenho e tratamento mais adequados para o retalho. Após um aumento bem-sucedido no rebordo, as mudanças no tecido mole resultam, na maioria dos casos, em perda severa do vestíbulo e translocação da junção mucogengival. O tecido mole deve ser reconstruído, então haveria um bom tecido queratinizado, uma espessura tecidual adequada e um vestíbulo recém-desenvolvido. Ainda, o sítio precisa parecer natural. Este é o tópico de uma de nossas linhas principais de pesquisa clínica.
ImplantNewsPerio – Seio maxilar: quais são as piores complicações que você viu e como as tratou? IU – Tenho visto muitas complicações severas após enxertia no seio maxilar. O motivo principal é que hoje, devido aos nossos estudos sobre as complicações no seio maxilar, os clínicos me contatam quando passam por isso. A mais recorrente é a infecção com sinusite pós-operatória. Eu gosto de tratar este problema, não que eu goste de ter um problema como este. É preciso entender completamente a função do seio maxilar e ser capaz de avaliar o paciente que apresenta essa complicação, além de ser importante manter o foco na fonte da infecção e eliminá-la, estando essa geralmente no enxerto ósseo. Uma vez eliminada a fonte, o que não significa remover o enxerto por completo, você deve se concentrar na patência do seio maxilar e remover qualquer líquido dele imediatamente. Em todos os casos que tive ou que me foram encaminhados, fui capaz de resolver com sucesso e sem hospitalizar o paciente ou fazer uma cirurgia de Caldwell-Luc agressiva.
ImplantNewsPerio – Para os principiantes, quais são as recomendações para se familiarizar com as técnicas de regeneração óssea guiada( ROG)? Por onde começar para ter um caminho seguro? IU – Um clínico iniciante na terapia regenerativa deve fazer um curso biologicamente orientado e ter uma boa lista de referências. A técnica ensinada no curso é de extrema importância e pode ser aprendida de forma previsível. Gosto de dizer que você deve aprender o fechamento passivo do retalho de forma minimamente invasiva. Acho que um bom currículo em regeneração é a chave do sucesso.
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