COMO CHEGAMOS ATÉ AQUI
A beleza da ciência é justamente o fato de você estar certo até o segundo seguinte, quando alguém pode provar o
contrário. Mesmo assim, a história da chegada ao estágio do planejamento digital cirúrgico-protético na Implantodontia
é cinematográfi ca. Acompanhe a linha do tempo apresentada a seguir.
Passagem para a Índia
Do outro lado do Meridiano de Greenwich (dois
séculos antes de Cristo), um homem chamado Pingala 1
simplifi cava a representação dos números em apenas
0 e 1. A importância disto é incrível e só seria desco-
berta e redesenhada pelo matemático Leibniz 2 em
1695. Daqui saem os dígitos – que signifi ca escrever
com os dedos – e, mais tarde, o conceito “binário”.
Assim, o bit pode ser o número 0 ou o número 1. Uma
sequência de 8 bits é chamada de byte (termo binário).
Resumindo: cada número decimal (por exemplo, 14,
35, 46, 123 etc.) pode ser escrito em binário.
Charada
Não só os números, mas todos os caracteres e
letras que escrevemos e surgem na tela do computador
estão codifi cados por números 3 , inicialmente descritos
pelo ASCII (descrito em 1963) e mais tarde pelo padrão
ISSO. As imagens “acendem” e “apagam” na tela.
A hard day’s night
Diz a lenda que os Beatles fi nanciaram o primeiro
tomógrafo axial computadorizado (TC) 4 . Resultado:
Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina para Allan
Cormack e Sir Godfr ey N. Hounsfi eld em 1979. Desta
tecnologia, temos três conceitos importantes:
- Pixel (o ponto na imagem): quanto maior sua
quantidade, melhor a resolução – lembrando que os
raios X são capturados e jogados em um painel (matriz),
como se fosse um tabuleiro de xadrez, porém, com
milhares de casas que “acendem” e “apagam”.
- FOV (fi eld of view): campo da imagem a ser
estudado. Quanto maior o FOV, menor o foco (resolução)
e maior a radiação secundária.
- Escala de cinza: todo feixe de raios X é composto
de partículas chamadas fótons, absorvidas em maior
ou menor quantidade pelos tecidos biológicos (maxila,
mandíbula, gengiva etc.). Isto é captado pelo detector
de voltagem, que “brilha mais” ou “brilha menos”, e
assim temos uma “escala de cinza” com centenas de
tons entre o branco e o preto. Esta escala também foi
traduzida em unidades de Hounsfi eld (HU).
Em uma galáxia não muito distante...
Pode parecer brincadeira, mas os recursos diagnós-
ticos para planejamento e colocação dos implantes
dentários, enxertos e desenhos dos pilares e das
restaurações provisórias/defi nitivas nos anos 1980 e
começo dos anos 1990 eram extremamente limitados.
Além das técnicas de mapeamento do rebordo ósseo,
um grande esforço mental era necessário para transferir
o planejamento 3D do modelo de gesso baseado em
uma radiografi a 2D (panorâmica).
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INPerio 2017;2(1):18-26