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Cada conquista, por mais pequena que parecesse, passou a ser valorizada: segurar melhor a colher, aceitar estar em grupo, procurar um colega, responder a uma orientação, brincar, sorrir, permanecer numa atividade. Mas sabíamos que este caminho precisava de envolver também o pai. Por isso, trouxemo-lo à escola. Mostrámos vídeos da A. em contexto educativo e partilhámos os progressos que ela já estava a fazer. Ao ver a filha a aprender, a brincar e a evoluir, o pai começou a compreender que A. não era definida pelas suas dificuldades, mas pelas suas possibilidades. O pai sorriu e agradeceu...
A partir daí, algo mudou. O pai passou a colaborar mais. Começou a levar o saquinho da inclusão, com materiais lúdicos que transitam entre a escola e a casa, permitindo que a estimulação continuasse no ambiente familiar. A família passou a participar mais no processo e a escola deixou de ser apenas o lugar onde A. ficava durante o dia: passou a ser uma ponte entre a criança, a família e o seu futuro.
Hoje, A. come sozinha. Brinca com os colegas. Socializa. Participa nas rotinas. Está feliz na escola. Continua a precisar de apoio, como qualquer criança que está a construir o seu caminho, mas já não caminha sozinha. Tem uma equipa que acredita nela, uma mãe mais acompanhada e um pai mais presente no seu percurso. Daqui a um ano, A. estará na escola primária. E chegará lá levando muito mais do que aprendizagens formais. Levará confiança, autonomia, relação, alegria e a experiência de ter sido vista para além das suas dificuldades.
A história da A. lembra-nos que a Educação Pré-Escolar é uma etapa decisiva, sobretudo para as crianças que mais precisam de oportunidades. Quando a escola acolhe, observa, adapta e envolve a família, transforma vidas. E, muitas vezes, a inclusão começa exatamente assim: com uma criança que chega em silêncio e que, pouco a pouco, encontra o seu lugar.
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• EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR