História de Vida
A. chegou à escolinha sem relatório, sem diagnóstico formal e sem informação prévia que nos ajudasse a compreender o seu percurso. Chegou apenas com aquilo que o olhar atento de uma equipa educativa consegue reconhecer: uma criança especial, com necessidades significativas de apoio no seu desenvolvimento, que precisava de tempo, cuidado, segurança e oportunidades para crescer.
Nos primeiros dias, A. quase não comunicava. A sua marcha era pouco organizada, ainda não tinha autonomia no controlo dos esfíncteres, precisava de apoio para se alimentar e tinha dificuldade em participar nas rotinas da sala. Mas, mais do que as dificuldades, víamos nela uma criança com vontade de estar, de pertencer e de ser compreendida.
Ao seu lado estava uma mãe muito jovem, visivelmente cansada e triste. Sentia-se sozinha num processo exigente, com pouca rede de apoio e com a responsabilidade diária de cuidar da A. quase sempre sobre os seus ombros. Percebemos rapidamente que apoiar a criança significava também apoiar a família.
A equipa da escolinha começou por acolher, observar e adaptar. Foram criadas pequenas estratégias para ajudar A. nas rotinas, na alimentação, na socialização e na participação nas atividades.
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