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Neste turbilhão de emoções, procuro as palavras certas. que consigam transmitir o que me vai no peito, na alma e me corre no sangue, percorrendo cada milímetro do meu corpo. Julgo ser impossível, pois há coisas que, só vivendo, nos dão a capacidade de as sentirmos da forma como eu as sinto.
Com duas viagens marcantes, num curto espaço de tempo, pensava estar fisicamente e psicologicamente mais forte para o que ia encontrar, mas a vida prega-nos partidas e, apesar de ter tentado contribuir ao máximo, de todas as formas, para ajudar este povo, a realidade de carências emergentes é de tal forma gigantesca, que deixa um sabor amargo na boca e um sentimento de total impotência. Contudo, não baixo os braços, pois no brilho dos olhos de centenas de crianças vi muitos sonhos, que apenas estão adormecidos, mas que tornar-se-ão realidade com a ajuda de cada um de nós; com cada padrinho e madrinha, que se juntar a esta causa tão nobre com a chancela da ONGD Helpo, cujos coordenadores, colaboradores e restante pessoal, que estão diariamente no terreno, junto destas comunidades, bem como por trás de uma secretária, desempenham um papel primordial para a concretização de cada um destes sonhos.
Ser recebida nas comunidades mais recônditas, como nas escolinhas de Ilocone e Mahunha, bem como em Silva Macua, onde conheci a minha doce Fátima, numa visão inesquecível, saída daquela comunidade, onde todos se apresentaram formalmente, cada um com o seu estatuto, foram experiências indescritíveis, ao ponto de me deixarem em profunda reflexão e questionamento acerca da sociedade em que vivemos e da realidade do dito“ 1 º mundo” vs uma realidade, que parece ter estagnado numa época de há alguns séculos atrás.
Que mundo estranho, este, em que vivemos!
Sermos recebidos com cânticos e com tantos sorrisos fez-me ter esperança, que a felicidade existe. Pode não ser o nosso ideal de felicidade, mas talvez possamos todos fazer um pouco mais para vermos ainda mais sorrisos. Acredito que sim! Neuza Pinto