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Desta viagem de madrinhas e padrinhos sobreviverão marcas, que dificilmente serão apagadas: os abraços e momentos partilhados com os nossos afilhados; as acácias e coqueiros plantados nas escolas; as bolas, as cordas de saltar, os apitos que, enquanto durarem, estarão associados à nossa presença; a emoção estampada no rosto de uma jovem ao receber um estetoscópio e que fará a diferença no seu percurso académico; as canções ensinadas e que continuam presentes na voz das crianças; as pinturas que se fizeram nas paredes.
A todos os elementos da Helpo, que tão bem souberam receber e transformaram esta viagem numa lição de vida, expresso a minha profunda gratidão. Admirei a lucidez e firmeza com que lidam e avaliam as situações; a equipa coesa que mostraram ser; a resiliência, a coragem, a esperança que semeiam. Em suma, a grandiosidade do vosso trabalho!
A mim, resta-me reavaliar o meu papel na construção de uma sociedade melhor, fazendo mais... e melhor! Eugénia Gabriel
Começou por ser só pelo Lucas Pedro, o menino que apadrinho desde os 4 anos e que hoje tem 15. Começou por ser só uma vontade, quase egoísta, de o conhecer, olhá-lo nos olhos e ver como cresceu, saber um pouco mais sobre a sua vida e, claro, de o encher de presentes. E de facto, foi muito especial este encontro! Fui recebida por toda a família. Trocámos sorrisos nervosos, mas genuinamente felizes por ali estarmos. Trocámos presentes: dei e também recebi. Trocámos palavras. O Lucas disse-me que, quando não estava na escola, capinava e plantava milho para ajudar a família, e que queria um dia ser polícia.
Fiquei a pensar, que talvez quisesse ser polícia porque vive diariamente o medo, que o grupo de insurgentes espalha na região, tendo, inclusive, obrigado o pai a deixar a machamba, que sustentava toda a família. E, no entanto, apesar de tudo, ali estavam todos com um sorriso para me receber.
Mas a viagem, que começou por ser só pelo“ meu” menino, depressa passou a ser sobre todos os outros meninos e meninas afilhados do grupo. Que bonito foi ver cada um daqueles encontros! E depressa passou a ser também sobre todas as crianças, jovens, animadores e professores, que fomos encontrando nas escolinhas, nos liceus, nas muitas comunidades, que visitamos e que nos mostraram que com quase nada, tanto se pode fazer. E claro, sobre as várias equipas da Helpo, que nos receberam em Pemba, na Ilha de Moçambique, em Nampula e em Maputo, de forma tão generosa e nos mostraram, no terreno, o trabalho incrível que fazem para que mais e mais crianças e jovens possam ir à escola e sonhar com um futuro melhor.
O que começou por ser“ apenas” uma viagem para conhecer o“ meu” Lucas Pedro, acabou por ser um encontro muito bonito com um grupo de madrinhas e padrinhos, que não se conheciam à partida e se abraçaram à chegada. E, também, uma experiência única e muito compensadora por poder testemunhar que, na dura realidade de um país onde há tanto por fazer, a Helpo faz. Só isto é imenso e enche-me, também a mim, de esperança. Muito grata por ter feito parte. Obrigada, Helpo!
Cristina Amorim