MOÇAMBIQUE
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Dias na Comunidade.
Nampula, Catarina Quadros
Na Helpo, o contacto com as comunidades é o centro de tudo o que fazemos. Diariamente, contamos com o trabalho incansável dos animadores comunitários, profundos conhecedores da realidade local( muitos, são antigos apadrinhados e alunos das mesmas escolas, que hoje apoiam). Estão presentes diariamente através do apoio às direções das escolas, da dinamização dos cantinhos de leitura, do acompanhamento dos alunos apadrinhados, da realização de palestras comunitárias e da coordenação do Lanche Escolar.
Apesar deste acompanhamento constante, em reflexão com a equipa e ouvindo as próprias comunidades, percebemos que, dado o largo número de localidades que apoiamos em Nampula, corríamos o risco de que as idas à comunidade por parte do escritório se tornassem muito operacionais: entregas, monitorizações e reuniões.
Reconhecemos, no entanto, a importância de estar verdadeiramente presentes, de dedicar tempo de qualidade dentro das comunidades, para que nos sintam próximos, e para que nós também as possamos sentir e compreender melhor.
Foi assim que nasceram os Dias na Comunidade: momentos especialmente planeados para que, além das ações de acompanhamento regular, a equipa do escritório se junte aos animadores no terreno. Estes dias são oportunidades para conviver, escutar, aprender e partilhar experiências, fortalecendo laços e promovendo um trabalho mais participativo.
Ao longo deste ano, já tivemos oportunidade de viver estes dias de diferentes maneiras. Uma das iniciativas, que mais marcou estes encontros, foi o Jogo Gigante“ Linha da Vida”, desenvolvido pela Helpo, no âmbito do Projeto Marias Meninas. Este jogo convida os jovens a percorrer simbolicamente os caminhos da vida de rapazes e raparigas, experimentando de forma lúdica as desigualdades no acesso à educação. Foi implementado nas comunidades de Murothone, Saua Saua, Anchilo, Marrere e Natoa, e resultou em reflexões muito ricas sobre igualdade de género, com os próprios participantes a reconhecerem como“ o jogo não é justo para as meninas”.