20
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
Mais qualidade na Educação Pré escolar.
São Tomé, Joana Carvalho
C hegou ao fim o Projeto de Valorização da Educação Pré-Escolar em São Tomé e Príncipe – fase II( VEPSTPII), uma iniciativa que, ao longo dos últimos anos, procurou consolidar práticas de qualidade na prestação do serviço de educação préescolar no Distrito de Lembá.
Com início em agosto de 2023 e término em julho de 2025, esta segunda fase do projeto veio aprofundar e expandir o trabalho anteriormente desenvolvido, com um compromisso claro: colocar a criança no centro das práticas pedagógicas, valorizar os educadores e envolver cada vez mais as famílias na vida escolar dos seus filhos. O VEPSTPII esteve presente ao longo destes dois anos em 13 Jardins de Infância do Distrito de Lembá, a norte da Ilha de São Tomé, abrangendo cerca de 900 crianças e 90 educadores de infância.
Este projeto foi muito mais do que um conjunto de ações pontuais, foi um processo de construção, cuidado e proximidade. Um dos aspetos diferenciadores do projeto esteve na forma como foi implementado: com presença constante no terreno, num modelo de acompanhamento direto que totalizou mais de 950 horas nos Jardins de Infância. Esse contacto regular com os educadores permitiu que a formação deixasse de ser apenas teórica e ganhasse espaço na prática, no dia a dia das salas, com as crianças, com os desafios reais.
Outro eixo essencial do VEPSTP foi o envolvimento parental. Ao longo do projeto, realizaram-se três palestras dirigidas a pais e encarregados de educação, com uma participação muito expressiva. Mas para além desses momentos mais formais, a verdadeira mudança deu-se na atitude dos educadores— mais atentos à importância das famílias, mais preparados para comunicar com elas, e mais criativos na forma de as trazer para dentro da vida escolar. Pequenas dinâmicas, convites para participação em atividades, trocas informais e momentos de escuta fizeram crescer esta ponte entre casa e Jardim de Infância, tão essencial para o desenvolvimento das crianças.
O projeto não se ficou apenas pelas metas estabelecidas, houve espaço para ir mais longe: a melhoria de infraestruturas em alguns Jardins de Infância, aquisição de materiais de arrumação e apoio para as salas, a
Formar“ com as mãos na massa” tornou-se um dos pilares da metodologia do projeto. A equipa esteve lado a lado com os educadores, orientando, ouvindo, refletindo em conjunto, apoiando na planificação, observando práticas, sugerindo estratégias e celebrando pequenas e grandes conquistas. Foi desta forma que muitos conteúdos abordados em ações formais de formação passaram a ser compreendidos e aplicados com maior segurança, criando mudanças visíveis na organização dos espaços, na escuta ativa das crianças, na planificação de atividades mais adequadas e na valorização do brincar como eixo fundamental da aprendizagem.