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MOÇAMBIQUE
Destruição vezes três.
Pemba, Carlos Almeida
O s ciclones não são um fenómeno recente em Moçambique. Infelizmente, a Pérola do Índico reúne condições propícias para o desenvolvimento destas calamidades naturais, nomeadamente, numa vasta região costeira banhada pelo canal de Moçambique, onde as águas quentes do Oceano Índico são viveiro para este fenómeno. A Ilha de Madagáscar muitas vezes até consegue funcionar como uma barreira natural que protege Moçambique, o problema é quando os ciclones ou tempestades tropicais passam essa barreira e aí os estragos são invariavelmente muito grandes.
Se é verdade que este fenómeno não é recente, creio ser indesmentível que, nos últimos anos, os ciclones têm atingido Moçambique com mais intensidade e maior frequência. Este ano, por exemplo, foram três ciclones que atingiram a região norte de Moçambique, devastando as regiões costeiras das Províncias de Cabo Delgado e Nampula, locais onde a Helpo trabalha, desde 2008.
Ao contrário do que acontecia há uns anos, neste momento, os avisos das autoridades moçambicanas, nomeadamente do INGD- Instituto Nacional da Gestão e Redução do Risco de Desastres, chegam a toda a população, não só através de televisões, rádios e redes sociais, mas também, via sms para todos os telefones na área. Além disso, aplicações como o Windy e o Zoom Earth, que ajudam a monitorar as tempestades tropicais e ciclones que se vão formando, são já ferramentas que muitas pessoas seguem de perto durante os meses mais propícios para estes acontecimentos.
Esta época das chuvas começou mais cedo do que é normal e logo com um ciclone muito forte – o Chido, que chegou a terra no dia 15 de dezembro, ligeiramente a sul da cidade de Pemba, capital de Cabo Delgado, no Distrito de Mecufi. Este evento foi extremamente destruidor, com ventos superiores a 200 km / h, tendo provocado 120 mortes e um total de 1.419 salas de aula destruídas.
No dia 13 de janeiro, mais a sul, na Província de Nampula, o ciclone Dikeledi entrou na Ilha de Moçambique, provocando 14 mortos e provocando destruição em 82 escolas.