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 SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE Senti-me frustrada, confesso! Achava que faltava algo, algo que os estimulasse, algo que os fizesse pensar e ajudar a su- perar as suas dificuldades. Optei então por continuar a contar as histórias, mas no fim fazer um puzzle, como se fosse um desafio que tinha de os pôr a pensar. Mais uma vez, falhei! Falhei, porque grande parte das crianças não conseguia per- ceber porque é que o puzzle se tinha de fazer de determina- da maneira e não se podia apenas conjugar as peças como eles queriam. Foi então que decidi que eram as crianças que iriam ler as histórias uns aos outros. E foi aqui que eu percebi porque é que tudo me saía ao lado... A escolaridade neste país é muito diferente do que estamos habituados em Portugal. As crianças sabem ler, mas muito mal e se calhar era por este motivo que nunca me prestavam atenção quando lhes lia as histórias. Tinha voltado à “estaca zero”, até que me surgiu uma ideia nova: “E se eu fizesse jogos com letras e conjugasse essas le- tras para assim melhorar a leitura e a sua compreensão?” Desenhei em cartolinas as vogais e inventei uma série de jogos com as mesmas. Eles adoraram! Mostraram-se muito participativos e ainda apresentaram algumas melhorias na leitura. Como não os queria aborrecer só com atividades de leitura, decidi que no final de cada sessão íamos ter uma ati- vidade plástica, estimulando a criatividade. Aprendi a fazer origami (de nível básico) para lhes poder ensinar. Para meu espanto, estes miúdos têm jeito para este tipo de coisas e adoram pintar os origamis no fim. E assim se passou o verão com as crianças da primária. Iniciá- vamos a sessão com uma meditação (porque eles são real- mente muito agitados, mais do que eu estava à espera), se- guíamos com os jogos das letras e das palavras com os livros e no fim fazíamos uma atividade plástica, que acabou por servir como decoração da mediateca. Na oficina de teatro, fiz uma fase experimental no verão, que correu muito bem e todos aderiram. Com o início do ano leti- vo, vamos começar de uma forma mais formal a oficina, esta- mos agora numa fase de inscrições e o resto o futuro o dirá... Isto tudo foi em Santa Catarina. Falo-vos agora de Monte Café: é impressionante como num país tão pequeno as reali- dades são tão diferentes. Nesta comunidade, decidi mais uma vez arriscar e apresentar a Lua: as coisas foram totalmente distintas. Em primeiro lugar, as crianças deliraram com a per- sonagem. Tiveram imensa curiosidade em saber da sua vida e o que a trazia ali. Prestaram sempre atenção às histórias contadas e não precisaram de outros estímulos para ficarem atentas. Agora temos um projeto a decorrer, o da Bibliomota. O objetivo é levar nesta mota uma pequena biblioteca com a Lua e contar histórias, não só às crianças, mas também à co- munidade, em geral, e, assim, de certa forma contribuir para o desenvolvimento de todos. Para todos terem acesso de igual forma à educação e cultura. Assim vos deixo, a fazer com que haja mais sorrisos por aqui e com o desejo que o futuro destas crianças seja um pouco melhor.