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 atividades de verão em Santa Catarina. São Tomé, Raquel Correia S empre me disseram que iria aprender muito mais do que iria ensinar e agora percebo o que me tentaram dizer... Sou voluntária da Helpo há um ano, fiz todas as colónias de férias com os meninos da Ludoteca da Helpo em Cascais, e já trazia comigo uma boa bagagem a trabalhar com crianças. Sou formada em animação artística e estou a acabar um mestrado na área da Educação Artística, com especialização em teatro. Sempre achei que as artes performativas eram uma mais valia para a educação e crescimento de qualquer ser humano. Como Aldónio Gomes defendia, o teatro nasce connosco e manifesta-se a partir dos 2 anos de idade quando começamos a brincar com as mãos. Mas não vim aqui escre- ver sobre a importância do teatro no desenvolvimento da criança, mas sim sobre o que me levou a São Tomé e Príncipe. Desde sempre que tive uma enorme vontade em fazer vo- luntariado internacional. Não sei se foi a minha passagem pelos escuteiros, onde ganhei um enorme prazer em ajudar o próximo, ou se isto já nasceu mesmo comigo. Como tinha de acabar o mestrado e para isso tinha de escrever uma tese, queria fazer algo que me desafiasse e pensei na hipótese de escrever um projeto para um público alvo, que fosse para além dos meus limites. Envolvi-me com a Helpo e, um ano mais tarde, aqui estou! Cheguei dia 11 de junho. Até ao dia não acreditava que isto me iria acontecer. Sabem, quando queremos muito uma coi- sa e quando se torna real é bom demais para ser verdade, não é? Foi o que aconteceu comigo. Vieram buscar-me ao aeroporto e eu senti que já pertencia aqui, como se nada me fosse estranho e que agora sim, esta- va no sítio certo. Tive uma vontade enorme de começar logo a trabalhar, de conhecer as crianças que iriam estar comigo e de conhecer o meu local de ação. Tinha dois projetos: o da minha tese, que consiste em fazer uma oficina de teatro para alunos do secundário e ver o de- senvolvimento pessoal e intelectual, que essa oficina pode- ria trazer a estes adolescentes; e o projeto da Helpo, com crianças da escola primária onde iria fazer a hora do conto, contar histórias. Pensei logo em criar uma personagem para contar estas histórias e, assim, estimular também a criativida- de destas crianças. Criei a Lua, que veio de um Ilhéu perto da Ilha de São Tomé, cujo objetivo era contar essas tais histórias para assim conseguir voltar para o seu Ilhéu. Ideia fantástica devem estar vocês a pensar, assim como eu pensei... mas, no terreno, as coisas foram diferentes... Passado um mês, lá fui eu apanhar a “hiace” (carrinhas ama- relas e um dos poucos transportes públicos, que existem aqui), rumo ao norte do país. Comecei pela hora do conto com a minha personagem, vieram imensas crianças assistir, mas deparei-me com um grave problema. O nível de concen- tração e atenção destas crianças era muito baixo, e dei por mim a contar histórias para as paredes. Não ouviam nada e só iam até à mediateca ver-me, porque eu era das poucas pessoas, que lhes dava atenção e que estava ali só para elas.