MOÇAMBIQUE
jogos e cânticos locais. Entregámos al-
guns livros e um jogo de dominó, que
fez furor. Agora, os jovens até vão com
mais entusiasmo para a ludoteca, por-
que lá podem jogar dominó!
Todos os dias nos tínhamos de levantar
muito cedo, pois o sol nasce por volta
das 5h15 e a vida rege-se pelo sol. No
dia da inauguração da escola, tivemos
de nos levantar às 4h30 para estar em
Mahera às 7h00. Foi uma cerimónia
muito bonita e bem preparada pelos
locais. Até cantámos os parabéns à mi-
nha esposa Patrícia, que nesse dia fazia
anos! A Helpo tratou do bolo e eu levei
umas velas escondidas na mala.
Foram 3 salas de aula, muito pouco
para um pais tão pobre, mas é com es-
tes “poucos” que conseguimos ajudar a
melhorar a vida destas populações.
Se conseguirmos que mais crianças
frequentem a escola, talvez as meni-
nas não engravidem tão precocemen-
te, talvez não casem tão cedo. Uma
criança que frequente a escola, também
vai querer que os seus filhos o façam
e cheguem mais longe que os pais,
isso é igual em todo o mundo. Hoje as
crianças vão para a escola, não porque
a educação é importante, mas porque
lá recebem uma refeição, talvez a úni-
ca do dia. Mas essas crianças quando
forem adultas, quererão que os seus
filhos frequentem a escola porque é
importante e não porque vão receber
uma refeição. Uma criança que não vai
à escola, é mais uma geração perdida e
atrasa a evolução da sociedade.
Em todos estes locais, houve momentos
de grande emoção, que nos marcaram
para sempre.
Sabíamos que há apenas meia dúzia de
países mais pobres do que Moçambi-
que, mas mesmo assim o impacto foi
grande. Não estávamos a ver fotos nem
vídeos, estávamos lá a sentir, tocar e
cheirar, sensações que nunca esquece-
rei e que me obrigam a não ficar indife-
rente e a querer fazer mais.