SÃO TOMÉ E PRINCIPE
PANMI
comunidades.
São Tomé, Carolina Reynolds
O
utubro foi o mês escolhido para dar novo arranque
ao projeto PANMI Comunidades. Inserido dentro do
Programa de Acompanhamento Nutricional Materno
Infantil – PANMI – em São Tomé e Príncípe, este projeto tem
uma componente prática forte e tem como objetivo ensinar
as mães e cuidadores das crianças a cozinhar adequadamente
as refeições das mesmas a partir dos seis meses de vida, aju-
dando, assim, a minimizar as probabilidades de uma criança
vir a sofrer de algum tipo de malnutrição ou a recuperar me-
lhor e mais rapidamente de alguma situação desta natureza.
Tudo começou com um encontro com os agentes de saúde
comunitária (ASC) das cerca de 30 comunidades do distrito
de Cantagalo onde se pretende levar o PANMI Comunidades.
Em conjunto, foram decididas as três comunidades onde a
atividade iria ser realizada em 2018: Água Izé Plano, Colónia
Açoreana e Mato Cana. Foram definidos dois dias para cada
comunidade, com um intervalo de 15 dias, onde seria aborda-
do um tema relacionado com nutrição e confecionadas uma
a duas papas por sessão. Foi dada uma formação inicial aos
ACS sobre os temas a abordar: “Alimentação Complementar
dos 6 aos 12 meses” e “Anemia”. Ficou definido, que seriam
as mães de cada comunidade a preparar os materiais de cozi-
nha necessários (fogareiro, facas, bacias, panelas, panos) e os
bens alimentares (os mais dispendiosos como carne, peixe ou
ovos, seriam da responsabilidade da Helpo).
Em novembro, arrancou-se para o terreno. Na primeira ses-
são confecionou-se um puré de legumes, com: mata bala,
pimpinela (ou xuxu) e abóbora, com direito a uma colherzi-
nha de óleo de palma no final para enriquecer, quer nutricio-
nalmente, quer em termos de sabor, e uma papa de fruta-pão
com leite de côco.
A segunda sessão, teve como prato de eleição uma açorda de
feijão. Não sendo o pão um alimento típico de São Tomé e
Príncipe, é um alimento acessível e bastante consumido. As-
sim sendo, porque não apresentar mais uma alternativa, tão
saborosa?
Não se usou sal, nem caldos de cozinha, tão pouco açúcar
ou algum instrumento elétrico. A indicação principal era a de
que a comida não podia ser “solta”, tinha que ser um puré:
“amarrada para não cair da colher”. Foi tal e qual o dia a dia,
mas com recomendações nutricionais adequadas… As mães
e cuidadores, em qualquer uma das comunidades, estavam
entusiasmados ou reticentes, mas todos curiosos. Adoraram
cozinhar com as nutricionistas e seguiram as instruções dadas
com dedicação. No final de cada sessão, a comida preparada
foi dada, não só às crianças até aos 12 meses, mas também
a todos os meninos até aos cinco anos presentes, para ser
aprovada. Sendo a alimentação das crianças com menos de
três anos, e sobretudo, com menos de um ano, normalmente
“aguada” – devido a um conjunto de crenças passadas entre
gerações e vizinhos e a dificuldades financeiras - foi neste
momento de degustação, que os adultos presentes ficaram
realmente convencidos. Não só a ideia de confecionar comi-
da com uma consistência mais espessa era boa, como os me-
ninos, de facto, iriam apreciar o esforço, “Afinal é bom! Vou
fazer em casa.”, ouvi-se numa das comunidades!
Ver ao vivo, a cores e na hora o resultado de uma atividade é