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 SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE a visão das estagiárias. São Tomé, Fátima Carlos e Rita Neves D urante o mês de maio, o rastreio no distrito de Lem- bá, com o objetivo de pesar e medir crianças dos 0-59 meses e assim avaliar o estado nutricional destas, foi a base para a tese de licenciatura de uma de nós, estagiárias. Em conjunto com o investigador Vítor Marques, foram aplica- dos questionários a cerca de 70 mães, com o intuito de ava- liar as práticas de amamentação e introdução alimentar. Assim, todas as semanas partíamos rumo ao norte. Durante cerca de 1h percorríamos um longo caminho, entre curvas e contracurvas, com o mar de um lado e densa vegetação do outro. De quando em quando, avistavam-se pequenas comu- nidades, onde a população se reunia junto à estrada nos seus afazeres habituais. O ponto de encontro era sempre no Cen- tro de Saúde de Neves, onde nos esperava a enfermeira Geni, que nos acompanhou neste trabalho. Conhecemos 12 comunidades, umas de mais fácil acesso, lo- calizadas junto à estrada, e outras, mais distantes dos Postos de Saúde. Em todas estas comunidades fomos recebidas de braços abertos e com grande predisposição das mães para realizarmos o nosso trabalho. Rapidamente, percebemos que, apesar de ser um distrito muito pobre e distante da capital, as mães eram preocupadas e muito trabalhadoras. Aqui perce- bemos como é possível ser feliz com as brincadeiras mais sim- ples e a leveza com que estas pessoas levam a sua vida. Dado o número reduzido de Postos de Saúde no distrito, ins- talávamo-nos num espaço disponibilizado pela comunidade, desde o quiosque de uns ao centro recreativo de outros, ou então ao ar livre. Faziam-nos chegar cadeiras para conforta- velmente nos sentarmos, mesas com uma toalha por cima e, por vezes, música de fundo para animar mais um dia de tra- balho. Ficará na nossa memória o ambiente que nos rodeava, ora sentadas numa pedra com porcos, cães, galinhas e cabras nas suas rotinas, ora sentadas num banco, que antes tinha sido um tronco de uma árvore e que de forma simpática nos foi oferecido para nos sentarmos. Aprendemos muito sobre a realidade de São Tomé com estes questionários. As mulheres são mães muito novas, em média aos 18 anos têm o primeiro filho, e têm geralmente 3 filhos. A maior parte delas trabalha em casa ou é vendedora do que a terra ou o mar dão, mas pudemos ainda encontrar algumas que se aventuram a cozinhar e vender os seus próprios boli- nhos de côco ou “açucarinhas”. Já os seus companheiros são maioritariamente pescadores ou trabalham no campo. Em relação à introdução alimentar nas crianças, foi interessante perceber que muitas mães oferecem alimentos demasiado cedo e que, por muito que o aleitamento exclusivo até aos 6 meses seja promovido, estas continuam a ter as suas próprias práticas. O diálogo com as mães foi muito importante e a adaptação que teve de existir, no discurso e na linguagem, foi o mais desafiante para tentar criar um ambiente tranquilo e de cumplicidade. Por tudo isto, este mês de rastreio em Lembá foi dos mais gratificantes e de maior aprendizagem. Ainda que tenha sido de muito trabalho, sabe bem olhar para trás e ver que correu bem. Os resultados dos questionários efetuados às mulheres indi- cam que existe um elevado risco de insegurança alimentar e nutricional. Mais de 1/3 das mulheres referiu que nas últimas 4 semanas, muitas vezes, esteve preocupada por não ter co- mida suficiente para a família. Também em quase metade das famílias foi frequente comerem menos refeições, devido à falta de comida. Nas famílias em que comiam menos de 3 refeições diárias, o almoço era a refeição suprimida, segundo o relatório da atividade.