Mod.1 História Cederj 1 | Page 56

56:: HISTÓRIA:: MÓDULO 1
Vamos recapitular algumas informações que discutimos neste capítulo. No item em que tratamos da colonização espanhola, começamos falando um pouco das ilhas do Caribe. Foi por elas que os espanhóis chegaram nas terras novas e foi ali que encontraram os primeiros veios de ouro. Também foi nas ilhas caribenhas que a escravização, as doenças e os atos de violência levaram ao extermínio da população nativa. As ilhas permaneceram, então, como domínios espanhóis, mas sem grande importância econômica atuando como entrepostos comerciais e locais de pirataria. O século XVII transformou esse cenário. Foi nessa época, como acabamos de ver, que Inglaterra, França e Holanda voltaram-se para a colonização de terras americanas, transformandose em novas forças coloniais, o que significou muitas disputas entre os países europeus. O Caribe foi um dos palcos dessa disputa. No final do século, ingleses, franceses e holandeses conquistaram muitas ilhas dos espanhóis, e a região passou a ocupar um espaço bem maior no comércio mundial.
A disputa entre europeus pelo controle de colônias na América não foi um fato isolado. Muito pelo contrário: na mesma época em que disputavam as ilhas caribenhas, franceses, holandeses e ingleses também tentaram conquistar posições na África e Ásia.
Entre 1620 e 1655, a Inglaterra conquistou várias ilhas espanholas, que se transformaram em colônias muito lucrativas. Entre elas, a Jamaica se destacou com a produção de açúcar para exportação, baseada na utilização da mão de obra escrava africana fornecida pelos navios ingleses que praticavam o comércio negreiro. O povoamento do Caribe inglêscontou com a vinda de grupos de perseguidos religiosos e políticos, como ocorreu nas colônias da América do Norte. Além da cana-de-açúcar, também foi implantado nas ilhas o cultivo de algodão, anil e tabaco.
No mesmo período, a França se apoderou de outras ilhas espanholas no Caribe. Entre elas, o Haiti – na época, chamado Saint Domingue – foi a que mais se desenvolveu, fornecendo lucros fabulosos à monarquia francesa e a seus colonos com a produção de cana-de-açúcar. A mão de obra do escravo africano também foi predominante. A metrópole francesa buscava estabelecer um rígido controle sobre o comércio do Haiti através da presença numerosa de funcionários. Ao mesmo tempo, os franceses se dirigiram à África, ocupando em 1659 a ilha de Saint-Louis, no litoral do atual Senegal, e estabelecendo uma rota de tráfico de escravos africanos para suas colônias na América. Em 1667, foi a vez da ilha de Goré, também no Senegal, ser tomada dos holandeses para ser transformada em base de apoio às companhias de comércio francesas.
Em 1621, foi criada a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais com o capital de um grupo de comerciantes holandeses. Imediatamente, o governo deu à empresa o monopólio do comércio de escravos africanos e outros produtos para as colônias holandesas.
Entre 1620 e 1640, a Holanda ocupou cinco ilhas no Caribe, administradas pela Companhia das Índias Ocidentais, que deveria povoar a região e organizar atividades econômicas. Algumas ilhas serviram como entreposto comercial e base para o comércio negreiro desenvolvido pela Companhia. Mas os lucros maiores vieram após 1654, quando os holandeses foram expulsos do Brasil e levaram para as ilhas do Caribe a técnica do açúcar. Como nas ilhas inglesas e francesas, a mão de obra do escravo africano foi a base da economia das colônias holandesas.
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Pensando as colonizações
Agora, após conhecermos a ação dos países europeus na América, vamos pensar um pouco em alguns aspectos da colonização. Em primeiro lugar, é preciso perceber que a colonização da América faz parte de um processo mais amplo ocorrido na Época Moderna, do qual participam outros continentes. Em outras palavras, para entendermos as decisões e as iniciativas de espanhóis, franceses, ingleses e holandeses em relação às suas colônias americanas, devemos considerar o jogo das relações entre eles na Europa e também na Ásia e África.
Esse aspecto chama nossa atenção para um outro ponto: as colônias americanas não estabeleceram relações somente com suas metrópoles europeias. A utilização da mão de obra do negro africano na América e a importância do tráfico negreiro para sua continuidade, por exemplo, nos levam a reconhecer a profunda conexão existente entre as colônias americanas e a África. Não só porque vinham de lá os escravos, mas porque muitos comerciantes americanos, como os de colônias inglesas, estavam à frente do negócio negreiro.
As relações entre diferentes regiões coloniais também eram muito importantes. O comércio triangular feito por algumas das colônias da América do Norte é uma prova disso. Através dele, regiões do Caribe se ligavam estreitamente às colônias inglesas. Da mesma forma, vimos como diferentes áreas espanholas estabeleceram circuitos comerciais internos importantes.
Os países europeus que ocuparam a América possuíam diferentes projetos de colonização e objetivos. Espanha e Portugal, pioneiros na expansão marítima e na colonização da América, fizeram na expansão da fé católica com a catequização dos nativos uma meta inseparável da busca por riquezas. Nessas áreas, os praticantes de outras religiões se defrontaram com uma grande vigilância e repressão. O mesmo não aconteceu nas colônias inglesas na América do Norte, para onde se dirigiram muitos perseguidos religiosos da Inglaterra e a Igreja anglicana não desempenhou um papel importante na colonização.
Ao mesmo tempo, essa diferença implicou em distintas relações com os povos nativos do continente americano, como já analisamos anteriormente. Todos esses elementos são muito importantes para entendermos os caminhos trilhados pelos países que compõem o vasto continente americano, bem como alguns dos problemas que enfrentamos até os dias atuais.