Mod.1 História Cederj 1 | Page 51

CAPÍTULO 5:: 51 colonial, trocas comerciais com comerciantes da Espanha, trocas com comerciantes da colônia, relações com outras regiões da América, como o Brasil e também as colônias inglesas na América do Norte.
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Como já sabemos, as colônias espanholas estendiam-se por um amplo espaço do continente americano. Essa vastidão acabou produzindo diferentes cenários sociais, o que pode ser explicado pelas diferenças na colonização. Diferenças no período em que as terras foram ocupadas pelos colonos, na mão de obra utilizada, na presença da administração colonial.
Escravos africanos e seus descendentes, índios, mestiços, filhos de espanhóis nascidos na América, os criollos, e espanhóis de nascimento misturavam-se nas áreas de colonização. Entre eles, aqueles que possuíam o maior poder político eram os funcionários espanhóis nomeados pela Coroa, responsáveis pela administração das colônias e por fazer valer aqui as leis estabelecidas na Espanha. Esses homens eram chamados de ou peninsulares.
Mas estes não eram os donos das fazendas de gado e milho nem os donos das minas. Ou seja, possuíam poder político concedido pela metrópole, mas não formavam a elite econômica da colônia. O poder econômico colonial estava nas mãos dos filhos dos colonizadores espanhóis, que nasceram nas Américas e aqui construíram sua riqueza e poder. Eram os donos de escravos negros e recebiam tributos dos indígenas. Esses homens formavam o que chamamos a elite criolla, com grande poder políticos nos cabildos.
Em algumas regiões, havia uma população mestiça, resultado da união entre europeus e indígenas, que não ocupava a mesma posição que os criollos. Nas áreas de economia mais dinâmica, com grande número de europeus, algumas famílias indígenas se“ hispanizaram”, ou seja, passaram a adotar hábitos e costumes dos espanhóis. Nas áreas em que houve a utilização da mão de obra dos índios através da mita e do quatequil, a sobrevivência das comunidades nativas foi bastante dificultada.
Nas regiões de agropecuária, as aldeias indígenas conseguiram manter suas tradições e cultura enquanto foram capazes de, com sua tradicional organização do trabalho, produzir alimentos para seus membros e pagar as tributações para os colonos e a Coroa espanhola. Entretanto, com a interiorização da colonização e das atividades econômicas dos criollos, muitos indígenas foram expulsos de suas terras e sofreram um processo de empobrecimento. Essas comunidades, apesar da pobreza e da falta de terras, foram responsáveis pela transmissão da cultura indígena através das gerações.
Em outras áreas coloniais, como no Caribe e nas fazendas de agricultura de exportação da Venezuela e Colômbia, os afrodescendentes estavam presentes em grande número. Em Cuba e São Domingo, por exemplo, o extermínio da população nativa pelos espanhóis nos primeiros tempos de colonização diluiu a presença indígena e esses lugares foram“ repovoados” pelos africanos escravizados. Hoje, são países com a maioria da população formada por descendentes de africanos.
O desenvolvimento da colonização de maneira acelerada em algumas áreas, principalmente naquelas envolvidas nos circuitos da mineração, levou ao crescimento e enriquecimento de alguns centros, como a cidade do México e Lima( Peru). Ali, além da presença de muitos funcionários da Coroa espanhola e de membros muito ricos da elite criolla, houve a formação de uma elite intelectual com a abertura de universidades, a publicação de livros, obras de arte, entre outros. Mas, esse não foi um processo geral em toda a América Espanhola.
É importante lembrar que as sociedades são dinâmicas e que as relações entre os indígenas, os africanos e os europeus foram assumindo novas formas com no decorrer da colonização. Por vezes, essas formas foram confliituosas e violentas; por outras, foram cooperativas e de influência mútua.
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Uma das principais características da sociedade colonial foi a importância da atuação da Igreja Católica. Desde o princípio, um elemento que estimulou os Estados europeus a ocupar os territórios americanos foi o espírito missionário. Além das riquezas que as Índias Ocidentais poderiam oferecer a reis e comerciantes, a catequização dos povos nativos era vista como uma missão. Lembre-se que a colonização teve início no mesmo momento em que aconteciam as reformas religiosas, e a perda de fiéis da Igreja Católica poderia ser compensada com a chegada de novos. A catequização dos indígenas foi uma tarefa desempenhada pelo clero católico, principalmente pelos jesuítas, membros de uma ordem religiosa chamada Companhia de Jesus. Nos primeiros anos de colonização, quando a mão de obra nativa foi utilizada como escrava e exterminada nas ilhas do Caribe, discutiu- se muito a questão da escravização indígena. A Coroa espanhola, após vários debates, decidiu-se pela proibição desse tipo de trabalho compulsório, editando várias leis durante o século XVI.
Para os jesuítas que defenderam essa posição, os índios deveriam ser iniciados na religião católica. Com essa ideia, os jesuítas muitas vezes protegeram as comunidades indígenas da ação dos colonos espanhóis que queriam escravizálos, o que provocou muitos conflitos que a metrópole tentava controlar. Problema semelhante aconteceu no Brasil, como você vai ver no próximo capítulo, e isso nos mostra que havia diferenças entre os próprios europeus sobre como deveria ser feita a colonização – obedecendo aos objetivos catequizadores da Igreja ou atendendo às necessidades de trabalho dos colonos, que produziam as riquezas desejadas pela metrópole e para isso precisavam de trabalhadores?
As comunidades indígenas dispersas eram reunidas pelos religiosos nas terras da Igreja em grandes comunidades, chamadas de“ reduções” ou“ missões”, onde a religião católica era ensinada e os próprios indígenas cuidavam de sua subsistência. As reduções eram lugares também de produção para o comércio, com oficinas onde os índios faziam tecidos e outros artigos para o mercado colonial. Assim, aprendiam hábitos, costumes e valores europeus enquanto trabalhavam para os religiosos.
As leis que proibiam a escravidão indígena foram cumpridas nas áreas onde a colonização já estava organizada e a Igreja e os fiscais da metrópole podiam controlar as ações dos colonos. Mas, nas áreas de fronteira, ou seja, onde a ocupação estava apenas começando e as autoridades religiosas e espanholas ainda não haviam chegado, os índios continuaram sendo escravizados pelos espanhóis e criollos durante todo o período colonial.
Além da atuação junto às comunidades nativas, a Igreja Católica também desempenhava funções importantes na vida social das colônias. Os costumes morais da população e o cumprimento dos deveres dos cristãos eram constantemente vigiados pelo clero. A prática de atos religiosos condenados pelo catolicismo também sofreu uma grande vigilância e a América espanhola recebeu