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50 :: H ISTÓRIA :: M ÓDULO 1 de dias em obras públicas. Os espanhóis adaptaram a mita e o quatequil às suas necessidades, obrigando os indígenas a trabalhar nas minas. Desta forma, conseguiram resolver seu problema de mão de obra e a prata passou então a jorrar para os cofres da Coroa espanhola entre o século XVI e meados do século XVII. Para os trabalhadores indígenas e suas comunidades, o trabalho na mineração foi devastador. Os mineiros viviam e trabalhavam em péssimas condições, o que causou a morte ou graves problemas de saúde em muitos deles. Para as comunidades, a retirada dos homens de suas tarefas tradicionais e seu deslocamento até as minas provocaram prejuízos para a economia e a sobrevivência das famílias, levando à desestruturação de muitas delas. Em razão da atividade mineradora, alguns centros urbanos se desenvolveram na colônia espanhola. Além de concentrar um grande número de mineiros indígenas, essas áreas atraíam também pessoas em busca de enriquecimento ou que viviam em torno da mineração, como comerciantes, pequenos artesãos, entre outros. Além disso, era necessário abastecer os habitantes das cidades com alimentos, bebidas e roupas; e era fundamental ter animais para transportar o metal precioso até os portos e trazer de volta os produtos estrangeiros que iam para as minas. Para atender a essas necessidades, outras atividades econômicas foram surgindo. Foi o caso da pecuária desenvolvida na bacia do rio da Prata, onde hoje estão Argentina e Paraguai. Os animais eram fundamentais como meio de transporte e para o fornecimento de couro e carne. Pela mesma razão, outras áreas se especializaram na produção de alimentos como milho e trigo. A mão de obra indígena também foi utilizada nas fazendas agrícolas, que se desenvolviam em áreas onde a população nativa era bem menor, através da encomienda. Por este mecanismo, o governo espanhol dava a alguns colonos a autoridade sobre uma determinada comunidade indígena. O colono tinha o dever de catequizar esses índios, mas também teria o direito de cobrar tributos que poderiam ser pagos em gêneros ou em trabalho nas terras. A encomienda, num primeiro momento, não ameaçou as comunidades nativas, que permaneciam em suas terras e trabalhavam para a própria subsistência e para pagar os tributos aos encomenderos. O colono não tinha direito às terras indígenas. Entretanto, a situação se modificou em fins do século XVII, quando os fazendeiros tomaram conta das terras indígenas para a produção agrícola para exportação. Diante dos conflitos crescentes, as encomiendas foram suspensas pela Coroa espanhola. Além da mineração e das atividades voltadas para o comércio interno, algumas áreas desenvolveram atividades agrícolas para exportação. Foi o caso da agricultura de algodão, açúcar, anil, cacau e tabaco. Esses artigos foram produzidos em grandes propriedades rurais, principalmente no Caribe e em regiões da América do Sul, como Venezuela, Colômbia e o litoral peruano. Nessas áreas, a população indígena era muito pequena ou tinha sido completamente exterminada, como no caso das ilhas do Caribe. A solução encontrada para a questão da mão de obra foi, então, a compra de escravos africanos, que foram os principais trabalhadores nessas atividades. Podemos , identificar um elemento comum a todos esses cenários. Tanto nas áreas mineradoras, com a mita, como nas plantações de açúcar cultivadas pelo braço do escravo africano ou as de milho desenvolvidas pelos índios encomendados, vamos encontrar alguma forma de coerção utilizada pelos colonizadores para forçar os indivíduos ao trabalho – por isso, chamamos esse tipo de trabalho de compulsório. As razões para a adoção de diferentes formas de trabalho compulsório na América são variadas. Em primeiro lugar, o trabalho livre assalariado não era muito difundido na Europa. Eram poucas as pessoas sem nenhum tipo de vínculo social que trabalhavam em troca de um salário por mês. Por isso, não era uma opção para os colonizadores. Em segundo lugar, para desenvolver as atividades econômicas na América era necessário um grande número de pessoas, que nunca seria alcançado somente pela migração de espanhóis para as colônias. Além disso, não havia na economia colonial uma grande quantidade de moedas que pudessem ser usadas para o pagamento de salários. Por fim, no caso da escravidão africana, ela já era utilizada na Europa e em outras partes da América e o tráfico negreiro tinha condições de oferecer milhares desses trabalhadores aos plantadores americanos. s / CONTROLE METROPOLITANO DA ECONOMIA COLONIAL Havia, por parte da metrópole espanhola, o objetivo de controlar rigidamente a economia e o comércio coloniais para garantir um fluxo de riquezas para o reino. Com esse fim, foram estabelecidos o exclusivo comercial e do pacto colonial. A colônia só poderia vender seus produtos a comerciantes autorizados pela Coroa espanhola. Da mesma forma, todas as mercadorias estrangeiras teriam que ser compradas de comerciantes que tivessem autorização real. As áreas coloniais também foram proibidas de produzir alguns artigos, como tecidos. O objetivo era que eles fossem comprados de produtores estrangeiros autorizados, o que significava lucros para a Coroa através dos impostos. As principais relações comerciais entre a colônia e a metrópole se desenvolveram, então, através de comerciantes que possuíam o privilégio real – monopólio – de realizar negócios em seus domínios. Foi estabelecido também um sistema de portos únicos, onde os produtos só poderiam ser embarcados em portos indicados na Espanha e na América. Para exportar as mercadorias da colônia, havia o sistema de frotas e galeões, quando eram organizados comboios de navios com proteção armada para cruzar o Oceano Atlântico. Com tudo isso, a metrópole buscava controlar o fluxo comercial com suas colônias e garantir a tão desejada balança comercial favorável. Mas as sociedades coloniais não eram exatamente um retrato do que desejavam suas metrópoles... Algumas desenvolveram lógicas próprias e eram, em muitos aspectos, independentes. Veja o caso que citamos anteriormente, sobre a proibição da produção de tecidos. Apesar das leis impostas pela metrópole, várias cidades coloniais possuíam oficinas que produziam panos de lã para a população e as autoridades da Coroa nunca conseguiram reprimir totalmente essa atividade. E o contrabando de metais preciosos, apesar de combatido, sempre foi praticado pelos colonos. No caso dos fazendeiros de gado e de alimentos, eram as trocas comerciais internas que lhes garantiam rendas e poder. Por isso, podemos pensar que as relações comerciais não se desenvolviam somente entre metrópole e colônia, mas também entre diferentes regiões coloniais. Apesar da existência de funcionários administrativos e militares na América, o controle das atividades econômicas pela Espanha nunca foi total. O pacto colonial encontrava, na prática, muitos limites. Assim, no século XVIII, diferentes cenários econômicos na América espanhola: atividades direcionadas ao mercado europeu, produtos destinados ao mercado