36:: HISTÓRIA:: MÓDULO 1
5)( Enem / 2002) Michel Eyquem de Montaigne( 1533-1592) compara, nos trechos, as guerras das sociedades Tupinambá com as chamadas guerras de religião dos franceses que, na segunda metade do século XVI, opunham católicos e protestantes. [...] não vejo nada de bárbaro ou selvagem no que dizem daqueles povos; e, na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra. [...] Não me parece excessivo julgar bárbaros tais atos de crueldade [ o canibalismo ], mas que o fato de condenar tais defeitos não nos leve à cegueira acerca dos nossos. Estimo que é mais bárbaro comer um homem vivo do que o comer depois de morto; e é pior esquartejar um homem entre suplícios e tormentos e o queimar aos poucos, ou entregá-lo a cães e porcos, a pretexto de devoção e fé, como não somente o lemos mas vimos ocorrer entre vizinhos nossos conterrâneos; e isso em verdade é bem mais grave do que assar e comer um homem previamente executado. [...] Podemos portanto qualificar esses povos como bárbaros em dando apenas ouvidos à inteligência, mas nunca se compararmos a nós mesmos, que os excedemos em toda sorte de barbaridades. MONTAIGNE, Michel Eyquem de. Ensaios. São Paulo: Nova Cultural, 1984. De acordo com o texto, pode-se afirmar que, para Montaigne,
( A) a ideia de relativismo cultural baseia-se na hipótese da origem única do gênero humano e da sua religião.
( B) a diferença de costumes não constitui um critério válido para julgar as diferentes sociedades.
( C) os indígenas são mais bárbaros do que os europeus, pois não conhecem a virtude cristã da piedade.
( D) a barbárie é um comportamento social que pressupõe a ausência de uma cultura civilizada e racional.
( E) a ingenuidade dos indígenas equivale à racionalidade dos europeus, o que explica que os seus costumes são similares.
6)( Enem / 2001) O franciscano Roger Bacon foi condenado, entre 1277 e 1279, por dirigir ataques aos teólogos, por uma suposta crença na alquimia, na astrologia e no método experimental, e também por introduzir, no ensino, as ideias de Aristóteles. Em 1260, Roger Bacon escreveu: Pode ser que se fabriquem máquinas graças às quais os maiores navios, dirigidos por um único homem, se desloquem mais depressa do que se fossem cheios de remadores; que se construam carros que avancem a uma velocidade incrível sem a ajuda de animais; que se fabriquem máquinas voadoras nas quais um homem [...] bata o ar com asas como um pássaro. [...] Máquinas que permitam ir ao fundo dos mares e dos rios. apud. BRAUDEL, Fernand. Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV-XVIII. São Paulo: Martins Fontes, 1996, vol. 3.
Considerando a dinâmica do processo histórico, pode-se afirmar que as ideias de Roger Bacon
( A) inseriam-se plenamente no espírito da Idade Média ao privilegiarem a crença em Deus como o principal meio para antecipar as descobertas da humanidade.
( B) estavam em atraso com relação ao seu tempo ao desconsiderarem os instrumentos intelectuais oferecidos pela Igreja para o avanço científico da humanidade.
( C) opunham-se ao desencadeamento da Primeira Revolução Industrial, ao rejeitarem a aplicação da matemática e do método experimental nas invenções industriais.
( D) eram fundamentalmente voltadas para o passado, pois não apenas seguiam Aristóteles, como também baseavam-se na tradição e na teologia.
( E) inseriam-se num movimento que convergiria mais tarde para o Renascimento, ao contemplarem a possibilidade de o ser humano controlar a natureza por meio das invenções.
7)( Enem / 2001) I – Para o filósofo inglês Thomas Hobbes( 1588-1679), o estado de natureza é um estado de guerra universal e perpétua. Contraposto ao estado de natureza, entendido como estado de guerra, o estado de paz é a sociedade civilizada. Dentre outras tendências que dialogam com as ideias de Hobbes, destaca-se a definida pelo texto abaixo. II – Nem todas as guerras são injustas e correlativamente, nem toda paz é justa, razão pela qual a guerra nem sempre é um desvalor, e a paz nem sempre um valor. BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de Política. 5. ed. Brasília: Universidade de Brasília; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2000. Comparando as ideias de Hobbes( texto I) com a tendência citada no texto II, pode-se afirmar que( A) em ambos, a guerra é entendida como inevitável e injusta.( B) para Hobbes, a paz é inerente à civilização e, segundo o texto II, ela não é um valor absoluto.( C) de acordo com Hobbes, a guerra é um valor absoluto e, segundo o texto
II, a paz é sempre melhor que a guerra.( D) em ambos, a guerra ou a paz são boas quando o fim é justo.( E) para Hobbes, a paz liga-se à natureza e, de acordo com o texto II, à civilização.
Gabarito
1) A 2) C 3) E 4) D 5) B 6) E 7) B