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104:: HISTÓRIA:: MÓDULO 1
Origem dos escravos africanos trazidos para o Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX
KARASH, Mary. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. São Paulo: Cia das Letras, 2000. p. 53.
No plano da política exterior, Dom João tomou algumas medidas igualmente importantes. Após a derrota de Napoleão na Europa, e com o objetivo de participar dos acordos com as casas reais europeias, resolveu transformar a sede provisória( até então) do seu império em Reino Unido a Portugal e Algarves, em 1815. Mas, nem a derrota de Napoleão nem a paz em Portugal fizeram a família real voltar à terra natal. Parecia que haviam se decidido a ficar no Brasil... Qual seria a razão? Como vimos anteriormente, no restante da América, as antigas colônias europeias estavam se tornando independentes. No Brasil, desde o século XVIII, movimentos e grupos sociais reivindicavam e lutavam pela autonomia. As atividades econômicas no território brasileiro tinham uma dinâmica e um funcionamento próprio que dispensavam a ligação com Portugal. O tráfico de africanos escravizados, negócio dos mais lucrativos e que sustentava a reposição de mão de obra, era, a essa altura, um ramo dominado por brasileiros ou por residentes no Brasil, com suas representações do outro lado do oceano, na África. A elite brasileira recebia, sim, com gosto os títulos nobiliárquicos que Dom João distribuía – mas seria isso suficiente para manter os laços entre as duas partes do império?
Ficar parecia ser uma alternativa para tentar manter o Brasil ligado a Portugal, com a família real no poder. Dom João demonstrava saber disso e manteve-se aqui. Não sem oposição, vale destacar. Durante seu último ano como regente, em 1817, Dom João comandou a destruição da Insurreição Pernambucana, uma tentativa de independência nascida do descontentamento de capitanias do nordeste brasileiro. Essa tentativa revelava o desagrado dos habitantes da região com o aumento de impostos, destinado a sustentar a família real e a corte portuguesa no Rio de Janeiro. Além disso, os favores do príncipe sempre privilegiavam as elites do sudeste, próximas à sede do poder.
A Insurreição, chamada pelos rebeldes de Revolução Pernambucana, foi derrotada, mas o inconformismo com a política de Dom João permaneceu. E o descontentamento com os privilégios dados aos portugueses também. Em outros momentos eles voltariam a surgir.
O processo de independência do Brasil
Em 1818, depois de dois anos da morte de sua mãe, Dom João é sagrado rei e no Brasil foram realizadas grandes celebrações pela coroação do monarca. Porém, em 1820, estourou em Portugal uma revolução liberal. Os portugueses, desde há muito estavam descontentes com seus governantes e sentiram-se abandonados à própria sorte. Uma vez derrotado Napoleão, a corte não regressara a Portugal. O Brasil fora elevado à categoria de Reino Unido. E o reino de Portugal estava sendo governando por um soberano estabelecido no Brasil. E mais: um soberano que governava segundo as regras de poder de moldes absolutistas, sem nenhum tipo de acordo com seus súditos. Os portugueses se rebelaram, exigiram a volta do rei e da corte e também uma Constituição para Portugal. Dom João VI regressou a Portugal em 1821 com a corte, mas recomendou a seu filho mais velho, Dom Príncipe Pedro, que procurasse se manter no poder. Dom Pedro e seus assessores mais próximos, como José Bonifácio, iniciaram então uma série de articulações com membros da elite colonial.
A retomada das rédeas do poder por Dom João VI em Portugal não foi simples. Foi preciso fazer concessões e uma delas foi criar( e respeitar) um órgão representativo, as Cortes. Essas Cortes, entre outras exigências, aprovaram a obrigatoriedade da volta de Dom Pedro a Portugal e uma