100:: HISTÓRIA:: MÓDULO 1
essa foi uma opção não só dos franceses, mas de outros povos europeus, como ingleses e holandeses, que exploraram as possibilidades naturais das ilhas do Caribe.
No que viria a ser o Haiti, viviam, no século XVIII, cerca de 536 mil habitantes, dos quais 480 mil eram escravos de origem africana. Se contarmos que havia uma população – ainda que não numerosa – de libertos de origem africana, vemos que a proporção de europeus era pequena se comparada à de afrodescendentes. A grande massa era de escravos africanos de nascimento ou seus descendentes diretos. Uma pequena elite branca e alguns poucos mestiços proprietários das fazendas de açúcar exploravam essa população, dominando também o governo local, com consentimento do governo francês.
As influências da Revolução Francesa sobre o Haiti rebelde
A eclosão da Revolução Francesa, em 1789,( ver capítulo 7) criou uma instabilidade na metrópole e abriu espaço para as elites contestarem o controle metropolitano buscando controlar o poder. Ao mesmo tempo, as ideias de liberdade vindas da França revolucionária estimularam o inconformismo de alguns escravos e libertos com a situação em que viviam Ocorreu em 1791 uma rebelião liderada pelo liberto Vicent Ogé. Embora derrotada, deixou seu rastro de luta contra a opressão.
Em 1793, o governo dos jacobinos aboliu a escravidão nas colônias da França, o que deu ainda mais força ao movimento de rebeldia dos negros no Haiti, que já vinha crescendo. Surgiu então outro líder negro, François Dominique Toussaint, que ficou depois conhecido como Louverture. Ele liderou a luta dos negros, acabando com a escravidão e declarou o Haiti independente da França nas áreas em que conquistou e que correspondiam a quase toda a ilha, em 1801.
O governo francês, sob o domínio de Napoleão Bonaparte, reagiu e tentou recuperar seu poder e restabelecer a escravidão no Haiti. A empresa açucareira era muito lucrativa e o exemplo do Haiti poderia levar à perda das outras colônias. Napoleão enviou tropas, sendo derrotado em algumas batalhas, mas finalmente saiu vencedor. Toussaint foi preso e morreu numa prisão francesa.
Mas, a história não terminou aí. Em 1804, outro líder negro, Jean Jacques Dessalines, também um ex-escravo, expulsou com suas tropas o governo francês do Haiti. Essas tropas foram lideradas por negros e mestiços e, dessa vez, contaram com o apoio da Inglaterra – que desejava enfraquecer o governo de Napoleão. Dessalines declarou independente a parte ocidental da ilha de São Domingo, que passou a ser chamada então de Haiti( terra das montanhas, na língua local). Surgiu assim a primeira república das Américas governada por um negro ex-escravo.
O exemplo do Haiti causou pânico entre os escravistas de todo o continente. E não sem razão, pois outras rebeliões de escravos e libertos ocorreram nas ilhas do Caribe e em outras áreas. A França reconheceu a independência do Haiti em 1825, quando, depois de uma série de conflitos que se seguiram à morte de Dessalines, subiu ao poder uma elite mestiça que se distanciou das reivindicações dos ex-escravos. Porém, a combatividade dos negros haitianos na luta pela liberdade não foi esquecida.
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A independência das colônias espanholas na América
A independência das Treze Colônias inglesas na América do Norte foi o primeiro exemplo bem-sucedido de separação no continente. Foi um estímulo para que em outras áreas coloniais se fortalecessem o desejo e os movimentos de independência. Logo após a rebelião dos escravos no Haiti, ainda no século XVIII, outros movimentos semelhantes surgiram nas ilhas do Caribe de domínio espanhol.
Todo esse processo nos mostra como as sociedades coloniais estavam conectadas entre si e com a Europa através de circuitos comerciais e intercâmbios culturais e de notícias. Por outro lado, devemos pensar que, em meados do século XVIII, as colônias americanas apresentavam sociedades mais diversificadas e com características próprias. As elites coloniais, ainda que se considerassem descendentes de espanhois, portugueses, ingleses, também se viam cada vez mais como um grupo com interesses específicos e uma história particular nas Américas – onde construíram suas vidas, sua riqueza material, seu poder sobre escravos, nativos... Tudo isso colaborava para que buscassem desenvolver uma ação mais autônoma diante das metrópoles.
A filosofia do século, a política inglesa, a ambição da França e a inabilidade da Espanha influíram bastante na( independência da) América. Essa frase é atribuída a Simon Bolívar, um dos principais líderes da luta pela independência das colônias espanholas na América. Nela, ele resume algumas das razões que levaram a essas independências. Vamos conhecer um pouco mais dessas razões.
A filosofia do século
No capítulo 7, conhecemos as ideias surgidas no movimento iluminista e os questionamentos que as estimularam. Essas ideias, que pregavam a importância da liberdade e do direito dos povos a se fazerem representar, contradiziam na sua essência a dominação europeia sobre as Américas. A necessidade de haver um consenso entre governantes e governados era outro tipo de pensamento considerado“ perigoso” para a manutenção do poder sobre as áreas coloniais. Ou seja: iluminismo e liberalismo questionavam as relações coloniais.