Ao longo de seu percurso, pudemos observar diferentes ambientes predominantes dessa flora, sendo os mais característicos: os igapós, a mata de terra firme, algumas árvores remanescentes de cerrado, além de uma presença expressiva de bambus e da “palmeira de sete pernas” ou palmeira-andante (Socratea exorrhiza), uma espécie nativa. Dentre os indivíduos da fauna, cabe destacar a presença de um sapo-onça, anfíbio extremamente raro e endêmico daquela área, alvo de pesquisas por vários cientistas estrangeiros. (Figuras 14 e 15).
Durante a parte da tarde, fizemos uma visita a um resort localizado em Alta Floresta, chamado de Floresta Amazônica Hotel, vinculado à Fundação Ecológica Cristalino, tendo como principal foco a atividade de ecoturismo de alto valor, assim como ocorre no Cristalino Lodge. Dentro da acomodação, ainda sob a coordenação da Mariana, se realizou uma palestra voltada para as linhas de pesquisa do instituto, seguida de uma apresentação dos trabalhos de educação ambiental efetuados na cidade.
As linhas de atuação da Fundação Ecológica Cristalino se desdobram sob 4 frentes principais, articuladas entre si: pesquisa, conservação, políticas públicas e desenvolvimento sustentável (Figura 16). Essas mobilizações se enquadram dentro da finalidade maior de proteção da biodiversidade na região do Rio Cristalino, contando com a participação de outras instituições e parcerias, como a do presente hotel, por exemplo.
Dentro das pesquisas de levantamento da biodiversidade local, se realiza um trabalho contínuo da FEC- Fundação Ecológica do Cristalino- , já tendo catalogado cerca de 1400 espécies de flora e fauna, bem como a publicação de um livro referente à gestão dos diferentes planos de manejos das RPPN’s existentes. Inserido nesse contexto houve também, a criação recente de alguns projetos e expedições mais fixas, de um monitoramento ainda mais constante do contingente da biodiversidade catalogada nessa região do Cristalino, trabalho feito junto ao PROEZA – Programa de Economia Sustentável na Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Cristalino – situado no município de Novo Mundo, Mato Grosso.
A apresentação da bióloga Mariana também teve como destaque o tema da educação ambiental, área de atuação mais popular da FEC, dialogando com a sociedade e as escolas de Alta Floresta mais fortemente. Foi criado dessa forma, um “Projeto de Histórias da Floresta”, sendo livros e trabalhos ilustrados que contam/retratam elementos da cultura e da natureza local, estimulando assim, o conhecimento das crianças sobre o folclore, os animais, os hábitos, dentre outros assuntos que contribuam em enriquecer e valorizar o seu próprio lugar de vivência e de identidade.
A Fundação também realiza outros projetos de cunho popular, como por exemplo, o evento anual voltado para o Dia Mundial da Água, bem como a iniciativa chamada de “Um Dia na Floresta” que envolve a participação de muitas crianças não somente de Alta Floresta, mas também de outros municípios próximos.
Encerrada a palestra, fomos guiados até uma trilha existente dentro do próprio hotel. Ela tinha um nível de dificuldade baixo, chamando a atenção por sua condição e organização “extremamente limpa”, sem dispor da cobertura de serrapilheira tradicional dentro de um ecossistema marcado pela diversidade de estratos e de espécies vegetais, típico da vegetação da Amazônia. A trilha também possuía uma configuração e ambientação similares a de uma “atração de safári”, uma reprodução de um passeio em família turístico dentro da natureza amazônica.
Figura 16: Palestra sobre os objetivos gerais de atuação e de trabalho efetuados pela Fundação Ecológica Cristalino, apresentada por Mariana dos Santos, uma das biólogas pesquisadoras do projeto.
Fonte: Fontes, 2019.
AMAZÔNIA JULHO 2019