Mindset Magazine | Ano 1 | Número 1 | Janeiro 2019 Mindset magazine Janeiro 2019A | Seite 53
SER FELIZ OU
ESTAR EM PAZ?
Escrevia Fernando Pessoa, através do seu
heterónimo Alberto Caeiro:
“Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural... “
Esta é uma realidade dura, mas prática. A
infelicidade ou a tristeza fazem parte de uma forma
natural de estar e de ser. Por mais que nos custe,
especialmente para aqueles de nós que mais
frequentemente sentem estados de tristeza no seu
dia-a-dia.
No entanto, a aceitação da naturalidade da tristeza
tem um efeito paradoxal que importa relembrar.
Quanto mais a sentirmos como algo natural, menos
sofreremos com ela.
Se a sentirmos como algo que devemos evitar ou
combater, ela alimenta-se desse sentimento e
surge-nos com um peso ainda maior.
Começo então por relembrar esta posição. Que me
faz sentido pessoalmente, mas também porque a
trabalho com as pessoas que me procuram para o
seu desenvolvimento pessoal. E este princípio é
uma parte importante num sentimento de Paz que
se pretende cada vez mais residente neste nosso ser
humano.
Mas porquê, fazer esta distinção entre a Paz e a
Felicidade? (como surge neste título)
Bom… na verdade, são dois estados profundamente
interligados. Mas tendo em conta que sou terapeuta
e formador, tenho como papel e missão ajudar – de
forma pedagógica – as pessoas a atingirem-nos e a
manterem-nos. Sendo assim, necessito identificar
etapas claras e atingíveis para cada um.
O que me leva a perceber um esforço inglório de
muitas pessoas que buscam, quase obsessivamente,
a tão almejada Felicidade.
MÁRIO RUI SANTOS
Terapeuta e formador na área da
hipnoterapia e do desenvolvimento
pessoal.
Realiza sessões e workshops em
várias cidades do país. Organiza,
coordena e lecciona cursos de
formação de terapeutas na área da
hipnose – em Portugal e no Brasil.
Cada um à sua maneira, nas suas práticas diárias,
leituras e outras aprendizagens.
No entanto, vou observando que cada um destes
“buscadores” a vai procurando com muitas feridas
abertas, carregando pequenas ou pesadas zangas
– umas vezes com eles próprios, outras vezes com
os outros.
Por exemplo, o simples facto da dita Felicidade
ainda não ter sido atingida, torna-se isso num
motivo de auto-censura ou até mesmo de
recriminação. Aliás, vejo esta dinâmica a surgir em
muitas pessoas que “coleccionam” cursos atrás de
cursos, sem terem atingido a tal dita Felicidade.
Por outro lado, quem carrega pequenas doses de
ressentimentos e revoltas, parece também não se
encontrar no melhor estado para atingir esse tão
querido objectivo.
Perante este cenário, surge-nos então algo que
parece ser uma etapa precedente: estar em Paz.
Especialmente consigo próprio/a. Até porque a
pessoa que não se sente em paz consigo própria,
muito dificilmente (para não dizer que é
impossível) se sentirá merecedora dessa
Felicidade.
MINDSET MAGAZINE | 51