Mindset Magazine | Ano 1 | Número 1 | Janeiro 2019 Mindset magazine Janeiro 2019A | 页面 51
CHEGAR A
SER HOMEM
Chegar a homem, ao longo dos tempos, tem sido um
caminho repleto de estereótipos que a sociedade e
mesmo outros homens nos incutem sobre
masculinidade e o que é ser um homem como tal.
Será que o momento em que nos tornamos homens
aconteceria com a primeira relação sexual? E
poderia acontecer através de um processo natural e
apaixonado, com o primeiro grande amor. Ou então
através de um processo provocado como mandava a
tradição em algumas partes do país. Certo é que
muito provavelmente emerge disso um novo ciclo
pois seria quando sentimos um despertar para a
vida. Será que a partir daí é chegada a hora em que
podemos dizer que já somos homens? Na verdade,
esse é apenas o inicio da jornada mas, numa
sociedade ocidental altamente sexualizada, parece
apesentar-se como o único caminho, fruto dos
média e das redes sociais.
Na realidade, esta sensação de estar vivo, este
despertar dos sentidos e a revelação de um mundo
interno de emoções até então desconhecido, dá a
ilusão de que tornarmo-nos homens passa por esta
experiência. E que são as mulheres – jovens
raparigas da nossa idade – que nos dão o acesso a
isso. Sem se aperceberem que ficaram em falta
muitas outras coisas.
Já mais à frente na vida, lá pelos 30, 40 ou 50 anos
muitos homens vão encontrar-se com algo que
dentro deles não foi completado: o seu processo de
iniciação como homens. E assim, não se sentem
realizados e verdadeiros. Pelo contrário, sentem-se
enganados por terem entrado numa corrida que não
era suposto entrar – fazem um curso, arranjam um
emprego, casam, compram casa, têm filhos e depois
ficam a manter tudo isto durante os próximos vinte
RICARDO LARANJEIRA
Coach, Eneacoach, Master em PNL,
Consultor em Panorama Social,
Terapeuta em Psicologia
Transpessoal, Storyteller e Results
Coach. Fundador da Comunicação
Mais Eficaz e de Men’s Evolution é
formador de Desenvolvimento
Pessoal e Humano. Second-life
Coach, ajuda a descobrir como viver
uma segunda vida dentro da mesma
vida. Autor do livro Viver sem
Ansiedade.
a trinta anos, aguardando pela próximo grande
acontecimento – a reforma de um emprego que
provavelmente nem gostam mas tem que manter.
E nem compreendem mais qual é o propósito das
suas vidas. Nestes momentos é bem possível que
partes menos agradáveis, até mesmo
desconhecidas, venham à superfície para mostrar
que afinal ainda não são o que já pensavam ser.
Não são as mulheres que nos dão o passaporte
para nos tornarmos homens, naquele momento tão
especial. Talvez apenas nos seja aberta a porta
para ter acesso a um outro mundo interior. Mas só
quando, ao vivermos a vida, temos o contacto com
a morte, com a perda, a dor ou o sofrimento é que
provavelmente nos encontramos com nós mesmos.
É um acidente, uma perda de emprego, um
problema de saúde, a morte de alguém importante
para nós, a relação com drogas ou álcool, que nos
faz bater no fundo e acordar para vida.
Os homens tendem a ser muito fortes, são
resistentes e aguentam demais. Não deixam que
as emoções surjam facilmente.
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