Mindset Magazine | Ano 1 | Número 1 | Janeiro 2019 Mindset magazine Janeiro 2019A | Page 27

Viver de aparências anula o que somos verdadeiramente, e esse conflito interior pode pagar-se caro. Em vez de procurarmos alcançar a imagem que melhor se enquadra connosco, com as nossas vivências e personalidade, devemos apostar no fortalecimento da autoestima, ser menos críticos e cínicos, sob risco de sermos o nosso principal inimigo. A autenticidade não se constrói, não depende de modas passageiras ou da capacidade de se atingir um ideal de perfeição antinatural ditado pelo mediático e imediato. Ser-se verdadeiro é ser-se fiel a si próprio, ter consciência de que se é bom o suficiente exatamente como se é, sem fitas métricas, suplementos, horas de ginásio ou intervenções estéticas. Ficar bem na fotografia, ter um corpo fitness e limitar a nossa comunicação com o mundo ao corpo é forçarmos-mos a caber em moldes irreais e desleais. Nos dias de hoje, original é quem se aceita e faz as pazes consigo mesmo. Arrojado é ver nas rugas, cicatrizes e formas mais arredondadas a prova inequívoca de que se está vivo, e isso, por si só, devia ser o único meio de validação da própria existência. De que servem cabelos, dentes e peles perfeitas, corpos milimetricamente esculpidos para ficarem bem na fotografia, se não for mantida a integridade dos órgãos vitais e a saúde mental? É uma falácia considerar-se que o conforto e o bem-estar são metas alcançáveis através da idolatria do corpo, porque a própria busca pela perfeição é um verdadeiro tormento, um sugador de tempo, dinheiro e energia, que só acentua o vazio interior que não desparece com remendos ou retoques estéticos. O caminho do autoconhecimento não passa pela fita métrica, pelo número de visualizações ou de gostos. A vida é para ser vivida no mundo real, com todas as imperfeições, curvas e arestas que contribuem para o nosso crescimento pessoal, e não para ser subvivida no mundo virtual e do faz-de-conta. Se o nosso propósito para 2019 for ser mais feliz e saudável, então que tenhamos como resolução de Ano Novo a construção de vivências mais autênticas, de proximidade e afastadas dos holofotes das redes sociais, que nos cegam ao ponto de não vermos que o que é realmente importante sempre esteve ao nosso alcance. JOANA MARQUES CRIADORA DO PROJECTO "TRIPOLARIDADES – ANSIEDADE, ANOREXIA E BULIMIA" jtpmarques@gmail.com facebook.com/transtornosalimentaresanonima MINDSET MAGAZINE | 25