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Que bom te ver viva que, quando se apresenta como Clair, muitas vezes não é reconhecida. O título, afirma, “ficou impregnado”. Ela presidiu a Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas (ABRAT) de 1998 a 2000 e fundou a Associação Latino–Americana de Advogados Trabalhistas. Nesse ano, foi eleita vereadora de Curitiba pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em 2002, elegeu- se deputada federal com 50.109 votos e tornou-se a primeira mulher a representar o Paraná na Câmara dos Deputados. Também reencontrou Hasiel, companheiro de partido preso na mesma ocasião, no Largo do Paissandu. Tiveram três filhos e, hoje divorciados, têm sete netos, o mais novo de apenas um ano de idade. Sobre as perspectivas políticas para o Brasil, Clair é categórica ao afirmar que vivemos tempos difíceis. Lamenta que a Ditadura como parte da história do país não tenha, nunca, sido discutida com a profundidade necessária. A perda de milhares de vidas e o patrulhamento político e ideológico de toda uma geração necessitam, estar vivos na memória conta. Mas ela também acredita no que chama de roda dialética da história: anos após ser torturada pelos agentes do Cenimar, foi homenageada pela Marinha pelos serviços prestados como deputada. Não apenas ela, mas diversas pessoas perseguidas e torturadas por defenderem ideias democráticas vieram a ocupar cargos políticos com a redemocratização, inclusive o de presidente – a exemplo de Dilma Roussef, eleita em 2010 e 2014. Para o futuro, mobilização. A advogada espera 45