Meia-volta, volver Livro_Final | Page 35

Que bom te ver viva pelas forças armadas no Congresso Nacional. O movimento estudantil, entretanto, não deixou que a “caloura” demorasse a se inteirar a respeito da nova situação na política nacional. Após morar em alguns pensionatos, mudou-se para a Casa da Estudante Universitária de Curitiba (CEUC), cuja ligação com a UFPR, forte até os dias atuais, já era muito marcante nesse período. Clair almoçava no Restaurante Universitário, participava de debates políticos sobre as lutas pelas liberdades democráticas, organizava assembleias e em alguns meses tornara-se aquilo que parecia estar destinada a ser desde criança: uma liderança política e mobilizadora das ideias democráticas. Sua participação política ficaria ainda mais acentuada com sua filiação, em 1966, ao partido político Ação Popular. Voltado para a discussão sobre um novo projeto para o Brasil, que envolveria não apenas o restabelecimento da democracia, mas também preceitos como a distribuição de renda, o partido foi uma importante plataforma para dar voz aos estudantes que tinham cada vez mais força por meio de seus movimentos, inspirados principalmente pelas grandes mobilizações que ocorreram em 1968, na França. No berço dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, estudantes e operários se uniram na maior greve geral da Europa. Embora não estivessem inseridos em um contexto ditatorial, os estudantes franceses exigiam reformas no sistema educacional e acabaram alavancando setores trabalhistas ao ponto de dois terços das forças de trabalho da nação terem 33