Meia-volta, volver Livro_Final | Page 34

Meia-volta, volver correspondência entre os títulos de sua certidão de nascimento e a sua história de vida. No Brasil dos anos 1960 das repressões e revoluções culturais, a jovem Clair, já no início da década, exercia lideranças no Centro Acadêmico na escola de sua terra natal, com população de 30 mil habitantes à época. Embora rudimentar, a organização era puxada pelos traços de liderança da estudante. Sua turma visitava favelas e possuía participação social incomum para crianças e adolescentes da metade do século XX. Eleita por toda a classe como líder representante, apesar de sequer ter se candidatado, Clair já demonstrava os atributos que viriam a ser indissociáveis de sua narrativa. Em grande parte impregnadas em sua personalidade, as características de liderança e de ideais progressistas também foram herdadas das lembranças que tinha de seu pai ao ouvir Leonel Brizola, líder da esquerda brasileira, no rádio, bem como João Goulart, presidente destituído pelo Golpe Militar de 1964, cujos princípios foram moldando as particularidades de Clair. Em meio aos acontecimentos que conturbavam a política brasileira e antecederam o Golpe de Estado de 1º de abril de 1964 pelos militares, Clair mudou-se para Curitiba no início do mesmo ano, a fim de cursar o ensino superior. Aos 18 anos, a catarinense havia sido aprovada nas faculdades de Letras na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e de Direito, na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Apesar de sua carga de engajamento político adquirido desde os tempos de adolescente, Clair não tinha, em um momento inicial, muita consciência do que significara a ação encabeçada 32